O Brasil ocupa atualmente a quarta posição entre os maiores produtores de lixo plástico do planeta, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. Os dados fazem parte de levantamento do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), elaborado com base em informações do Banco Mundial, e apontam que o país produz cerca de 11,3 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano.
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Apesar do volume elevado, o índice de reciclagem brasileiro permanece entre os mais baixos do mundo. Segundo o estudo, apenas 1,28% do plástico descartado no país é efetivamente reciclado e reaproveitado na cadeia produtiva. A média global de reciclagem é de aproximadamente 9%.
O levantamento aponta ainda que mais de 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas irregularmente todos os anos no Brasil, muitas vezes em lixões a céu aberto, rios, canais e áreas ambientais sensíveis. Outros 7,7 milhões de toneladas acabam destinados a aterros sanitários.
Especialistas alertam que o crescimento do consumo de embalagens descartáveis, produtos de uso único e delivery agravou a produção de resíduos plásticos no país nos últimos anos. O impacto atinge diretamente rios, praias, manguezais, áreas urbanas e ecossistemas marinhos.
Segundo a pesquisa do WWF, o volume de plástico que chega aos oceanos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas por ano, o que equivale a 60 aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos dias. Nesse ritmo, até 2030, haverá 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km2 e mais de 104 milhões de toneladas de plástico poluindo nossos ecossistemas.
Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente falido. É um sistema sem responsabilidade, e atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza, afirma Marco Lambertini, Diretor-Geral do WWF-Internacional, no site da instituição.

Foto: Reprodução / Dados do WWF/ Banco MundialRio de Janeiro e Espírito Santo enfrentam pressão ambiental
No estado do Rio de Janeiro, o descarte irregular de plástico preocupa principalmente em regiões costeiras, lagoas, canais urbanos e praias turísticas. Municípios da Região dos Lagos, capital fluminense e litoral Norte do estado frequentemente registram acúmulo de resíduos em áreas de preservação ambiental e faixas de areia, especialmente durante feriados prolongados e alta temporada.
Já no Espírito Santo, ambientalistas alertam para os impactos do lixo plástico sobre manguezais, rios e áreas marinhas do litoral capixaba. Regiões próximas a portos, áreas industriais e centros urbanos concentram parte significativa dos resíduos encontrados em operações de limpeza ambiental e monitoramento costeiro.
Segundo o WWF, cada brasileiro produz em média cerca de 1 quilo de lixo plástico por semana. O relatório também destaca que o país possui uma das maiores taxas de consumo de plástico descartável entre as economias emergentes.
Poluição plástica preocupa especialistas
Organizações ambientais alertam que o plástico descartado inadequadamente pode levar centenas de anos para se decompor na natureza. Além disso, resíduos plásticos acabam fragmentados em microplásticos, contaminando água, solo, fauna marinha e até alimentos consumidos pela população.
O fato de o Brasil estar no 4º lugar como gerador de lixo plástico do mundo e reciclar somente 1% é resultado da falta de políticas públicas adequadas, declarou Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil.
Especialistas defendem ampliação da coleta seletiva, incentivo à reciclagem industrial, redução do uso de descartáveis e fortalecimento de políticas ambientais para conter o avanço da poluição plástica no Brasil.


