A situação financeira da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro) entrou no radar do setor sucroenergético de Campos dos Goytacazes após produtores rurais e fornecedores relatarem atrasos em repasses financeiros. Produtores e fornecedores procuraram a redação do Portal NF10 e apontaram dificuldades nos recebimentos e falta de previsibilidade para a regularização dos valores. O cenário preocupa pela dimensão da cadeia da cana-de-açúcar em Campos, principal polo sucroalcooleiro do Estado do Rio, e pelos possÃveis reflexos sobre outras atividades da economia local.
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Segundo eles, a falta de regularidade nos pagamentos pode comprometer o fluxo de caixa no campo, especialmente em despesas com insumos, manutenção das lavouras, financiamentos e compromissos assumidos ao longo da safra.
O peso da Coagro dentro da atividade sucroenergética do Norte Fluminense amplia a repercussão do assunto. A cooperativa mantém relação com uma cadeia que envolve produtores, trabalhadores, transportadores, fornecedores e empresas prestadoras de serviços, fazendo com que eventuais dificuldades financeiras tenham potencial para ultrapassar os limites da atividade agrÃcola.
Na outra ponta do setor no Norte Fluminense está a Usina Canabrava, em São Francisco de Itabapoana. Segundo as informações levantadas, produtores e fornecedores relatam maior regularidade nos pagamentos da unidade, fator que garante previsibilidade aos parceiros comerciais e ajuda a preservar o capital de giro.
Da retomada da cana às dificuldades recentes
A situação ganha relevância também pela história da própria Coagro. Criada em 2002, em um perÃodo marcado pelo fechamento de usinas na região, a cooperativa surgiu da mobilização de produtores rurais para preservar a atividade sucroenergética no Norte Fluminense e oferecer maior segurança aos produtores.
Por anos, a Coagro foi administrada por Frederico Paes, atual prefeito de Campos dos Goytacazes, esteve entre os idealizadores da iniciativa, participou da fundação da Coagro e assumiu sua primeira presidência.
Um dos principais momentos dessa trajetória ocorreu em julho de 2013, quando a cooperativa assumiu a Usina Sapucaia, por meio de um contrato de arrendamento de longo prazo. A operação marcou a retomada de uma estrutura industrial que havia permanecido paralisada e reforçou a presença da Coagro na produção sucroenergética regional.
Em agosto de 2025, o produtor rural e empresário Sérgio Chagas sucedeu a Frederico Paes, que se afastou da COAGRO para assumir o comando da Prefeitura de Campos dos Goytacazes, após a saÃda do prefeito Wladimir Garotinho.
Desde então cooperativa a passou por uma reestruturação que resultou na demissão de funcionários da Usina Sapucaia, em outubro de 2025, incluindo trabalhadores com até 20 anos de serviço. Os desligamentos foram justificados à época pela necessidade de redução de custos, diante de uma quebra de safra estimada em cerca de 16% que afetou severamente sua produtividade agrÃcola e industrial.

Reflexos podem ultrapassar o campo
A preocupação com os possÃveis efeitos dos atrasos está diretamente relacionada ao peso da atividade canavieira na economia de Campos dos Goytacazes. O dinheiro movimentado pela produção não permanece apenas nas propriedades rurais: passa por transportadores, oficinas, fornecedores de insumos, prestadores de serviços e chega ao comércio.
Quando há redução ou atraso nesse fluxo, o produtor tende a rever despesas e investimentos, enquanto fornecedores passam a operar com menor disponibilidade de caixa. Dependendo da dimensão e da duração do problema, os reflexos podem alcançar diferentes segmentos da economia campista.
O setor sucroenergético do Norte Fluminense já enfrenta desafios como custos elevados de produção, oscilações de mercado, condições climáticas e perÃodos de baixa utilização da capacidade industrial. A falta de previsibilidade financeira acrescenta pressão a esse cenário.
A reportagem procurou os responsáveis pela Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), mas até o momento ninguém respondeu os questionamentos. O espaço permanece aberto.

