O Governo do Rio de Janeiro iniciou uma nova etapa de preparação dos 92 municípios fluminenses para possíveis impactos associados ao El Niño. A estratégia prevê capacitação das equipes das prefeituras, reforço dos sistemas de monitoramento e alerta e identificação antecipada de áreas e populações mais vulneráveis a eventos como ondas de calor, chuvas intensas, enchentes, estiagem e queimadas.
Participe do canal de notícias do NF10 no WhatsApp
A preparação foi discutida nesta quinta-feira, dia 20, durante um encontro realizado na Uerj, que reuniu representantes do Estado e das prefeituras. Os primeiros treinamentos começam na próxima semana e vão orientar as equipes municipais sobre procedimentos de prevenção e resposta diante de diferentes níveis de risco.
Entre as ferramentas apresentadas está o 1º Mapa de Risco Humano, desenvolvido pela Defesa Civil estadual. O sistema cruza informações sobre ameaças climáticas, população exposta e vulnerabilidade social para identificar áreas que podem exigir maior atenção durante eventos extremos.
Na área da saúde, o Estado também anunciou o uso do Índice Multidimensional de Excesso de Calor, que combina informações meteorológicas, ambientais, demográficas e de atendimento do Sistema Único de Saúde para classificar o risco de calor nos municípios. Os alertas poderão ser emitidos com até cinco dias de antecedência.
A estrutura de resposta inclui ainda pontos de hidratação nas 27 UPAs estaduais, reforço de veículos de intervenção rápida e motolâncias, além de duas aeronaves para operações de salvamento e transporte de insumos. Também será feito o mapeamento de moradores com mobilidade reduzida para facilitar o atendimento em situações de emergência.
Para o risco de enchentes, o Estado prevê o fortalecimento da Rede Hidrometeorológica e do Sistema de Alerta de Cheias, além do acompanhamento dos sistemas Paraíba do Sul e Guandu. As ações de prevenção também incluem frentes de dragagem e limpeza de rios e canais em diferentes regiões hidrográficas.
Em períodos de estiagem e incêndios florestais, os municípios poderão contar com apoio das estruturas estaduais de proteção, incluindo ações integradas nas 39 Unidades de Conservação estaduais. O setor agropecuário e a pesca também serão acompanhados, com diagnósticos sobre possíveis impactos e definição de rotas prioritárias de assistência técnica aos produtores.
Treinamentos
A capacitação das equipes municipais começa entre os dias 25 e 28 de agosto, com oficinas presenciais da Secretaria de Saúde voltadas aos profissionais de Vigilância em Saúde e Atenção Primária. Os encontros vão apresentar protocolos de resposta classificados em níveis de severidade de 0 a 4.
No dia 26 de agosto, a Defesa Civil estadual realizará uma oficina para implantação das Salas Municipais de Observação e Monitoramento de Eventos Climáticos. Em setembro, estão previstos novos encontros sobre elaboração e atualização dos Planos de Contingência Municipais, planejamento orçamentário para ações de proteção e defesa civil e criação de Fundos e Conselhos Municipais de Proteção e Defesa Civil.
Também está prevista uma oficina específica para orientar os municípios no mapeamento de ilhas de calor urbanas.

