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Justiça

‘Faraó dos Bitcoins’ enfrenta júri popular por homicídio ligado a disputa milionária

Glaidson Acácio dos Santos já havia sido condenado a 19 anos de prisão por organização criminosa e corrupção ativa

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, enfrenta o Tribunal do Júri nesta quarta-feira, 2, no Rio de Janeiro, acusado de envolvimento em homicídio e tentativa de homicídio. Entre os casos está a morte do trader Wesley Pessano, de 19 anos, assassinado a tiros em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, em agosto de 2021.

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Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Glaidson teria comandado uma organização criminosa que mantinha um braço armado para perseguir e eliminar concorrentes e desafetos comerciais. A suspeita é de que os crimes estivessem relacionados à disputa por investidores no mercado de criptomoedas, que movimentava valores milionários na região.

O processo tramitava inicialmente em Cabo Frio, cidade onde a GAS Consultoria ganhou projeção e reuniu milhares de clientes, mas foi transferido para a capital fluminense por questões de segurança e ordem pública.

Morte de jovem trader

Wesley Pessano foi morto aos 19 anos, em agosto de 2021. O jovem estava em um veículo em São Pedro da Aldeia quando foi atingido por disparos de fuzil. De acordo com a investigação citada no processo, Glaidson demonstrava preocupação com a possibilidade de Pessano atrair investidores ligados ao seu negócio. Os investigadores também identificaram uma movimentação de R$ 1 milhão em contas relacionadas ao grupo no dia seguinte ao assassinato. A suspeita levantada durante a apuração é de que o dinheiro pudesse estar relacionado ao pagamento dos executores.

O julgamento também abrange uma tentativa de homicídio contra o investidor Nilson Alves da Silva, conhecido como Nilsinho, que sobreviveu após ser baleado. Para a acusação, os episódios fariam parte de uma estratégia para afastar pessoas consideradas concorrentes dos negócios do grupo.

GAS movimentou bilhões

Glaidson está preso desde agosto de 2021, quando foi deflagrada a Operação Kryptos. As investigações apontaram que a GAS Consultoria oferecia contratos com promessa de rendimentos mensais de aproximadamente 10%. Segundo as apurações, cerca de 89 mil clientes foram atraídos e aproximadamente R$ 38 bilhões teriam sido movimentados entre 2015 e 2021.

O julgamento desta quarta-feira é diferente dos processos relacionados aos crimes financeiros. Desta vez, jurados serão responsáveis por analisar as acusações de crimes contra a vida atribuídas a Glaidson.

Em outubro de 2025, ele já havia sido condenado a 19 anos e dois meses de prisão, em regime fechado, por organização criminosa e corrupção ativa. Glaidson permanece preso preventivamente e tem direito à ampla defesa e ao contraditório.

ATUALIZADO ÀS 08h10  •   Alysson Nogueira  [ + ]  —   Diretor de Redação do NF10. Jornalista e comunicador apaixonado por histórias que conectam pessoas, instituições e comunidades.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
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