
Um pesquisador de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, desenvolveu uma proposta inovadora que pode transformar as viagens espaciais até Marte. O físico Marcelo de Oliveira Souza, doutor em física pela UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense) elaborou um modelo de trajeto capaz de reduzir significativamente o tempo de deslocamento entre a Terra e o planeta vermelho.
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A pesquisa aponta que uma missão de ida e volta a Marte poderia ser realizada em aproximadamente sete meses, tempo até três vezes menor do que o estimado pelos modelos tradicionais. Atualmente, viagens interplanetárias desse tipo podem levar entre dois e três anos, considerando ida, permanência e retorno.
O diferencial do estudo está no uso de trajetórias de asteroides como referência para o cálculo da rota. A partir dessa base, o pesquisador identificou o que descreve como “corredores geométricos”, caminhos no espaço que permitem otimizar a viagem utilizando condições orbitais mais favoráveis.
Segundo o cientista, o projeto começou em 2015, quando ainda havia limitações tecnológicas para realizar simulações complexas.
Naquela época, eu não consegui obter uma trajetória porque necessitava de fazer várias simulações, e eu não dominava tecnologia, e não tinha recursos para que eu tivesse acesso que me permitisse fazer as simulações rápidas. Eu estava fazendo passo a passo as simulações, comentou doutor em física Marcelo de Oliveira Souza.
Com o avanço da tecnologia e o uso de inteligência artificial, foi possível testar novos cenários e validar os resultados. A grande vantagem da descoberta é a possibilidade de encurtar drasticamente a viagem utilizando apenas a tecnologia espacial já disponível hoje, sem a necessidade de novos motores. Enquanto o trajeto tradicional entre a Terra e Marte pode consumir de dois a três anos de missão, a nova metodologia proposta pelo pesquisador reduz esse tempo de forma drástica.
Consegui um resultado muito bom que permite uma viagem para Marte em um tempo bem menor com tecnologia que a gente tem hoje, afirmou doutor em física Marcelo de Oliveira Souza.
Aplicação prática e próximos passos
O estudo prevê uma janela específica de lançamento para 2031, quando a posição relativa entre Terra, Marte e os corpos celestes utilizados como referência favorece a aplicação da nova rota. O tempo estimado varia entre 153 e 226 dias, sendo cerca de sete meses o cenário mais viável para a missão completa.
O trabalho, intitulado “Utilizando dados orbitais iniciais de asteroides para missões rápidas a Marte”, foi aceito para publicação na revista científica Acta Astronautica, vinculada à Academia Internacional de Astronáutica. A proposta amplia o debate sobre novas estratégias para exploração espacial e pode influenciar futuros projetos de agências internacionais.
