A Polícia Federal apontou, em relatório divulgado nesta quinta-feira, dia 3, indícios de que despesas pessoais e imóveis utilizados pelo ex-governador Cláudio Castro teriam sido custeados ou beneficiados por pessoas e empresas ligadas ao grupo Refit. Os fatos ocorreram no Rio de Janeiro e em São Paulo e integram a segunda fase da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas de lavagem de capitais, gestão fraudulenta, sonegação fiscal, evasão de divisas e crimes contra a ordem econômica.
Receba as notícias importantes do NF10 no seu Telegram
Entre os episódios descritos está uma compra de caviar no valor de R$ 10.500, realizada em abril de 2026. Mensagens analisadas pela PF mostram Castro negociando diretamente diferentes tipos e quantidades do produto e informando que parte da encomenda seria entregue no Hotel Emiliano, em São Paulo. Embora o ex-governador tenha indicado que faria o pagamento via Pix, os investigadores identificaram que a transferência saiu da conta da AC Santos Participações e Empreendimentos, empresa ligada ao advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo.
Imóveis sob investigação
Outro núcleo da apuração envolve uma propriedade de alto padrão no condomínio Locanda Residenze, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. O imóvel está registrado em nome da Concrecasa Construções Inteligentes Ltda., mas a Polícia Federal afirma ter encontrado elementos que indicariam que Castro exercia a posse de fato da residência. Segundo o relatório, ele recebia contas de energia no celular, acompanhava questões de segurança e coordenava intervenções no imóvel.
A investigação também encontrou um projeto de adega climatizada avaliado em R$ 245 mil. O arquivo analisado pelos investigadores apresentava nos metadados a identificação “AP Adega Claudio Castro”. A PF relaciona a propriedade a pessoas com vínculos empresariais com fornecedores que mantiveram contratos com o Governo do Estado do Rio de Janeiro durante a gestão do ex-governador.
Na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a PF analisou a cobertura ocupada por Castro no Condomínio Atmosfera. O contrato estabelecia aluguel mensal de R$ 10 mil, enquanto os investigadores estimaram valores entre R$ 25 mil e R$ 29 mil para imóveis semelhantes. A cobertura foi adquirida por R$ 3,48 milhões por uma empresa criada pouco antes da compra e apontada no relatório como proprietária de um único ativo.

Relação com a Refit
A investigação também reúne mensagens que indicam proximidade entre Castro e Ricardo Magro, empresário apontado pela PF como controlador da Refit. Em uma conversa, após Magro agradecer a participação do então governador em um evento em Nova York, Castro respondeu: “aqui você tem um amigo”. Em outro diálogo relacionado à situação fiscal da empresa, Castro afirmou: “Eu toco por aqui”. Para os investigadores, as mensagens indicam atuação direta do ex-governador em assuntos de interesse da companhia.
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Sem Refino em 14 de agosto, quando cumpriu 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal. O material analisado posteriormente levou à retirada do sigilo da investigação em 3 de setembro. A existência dos indícios apresentados pela PF não representa condenação dos investigados.
A defesa de Cláudio Castro nega irregularidades e afirma que não houve participação em esquema de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros. Sobre o caviar, os advogados disseram que a encomenda havia sido feita por um amigo e que Castro apenas retirou os produtos, tendo consumido um deles com autorização do comprador. A defesa também sustenta que os gastos e contratos imobiliários citados na investigação são regulares.
As informações sobre a investigação foram confrontadas com a publicação oficial da Polícia Federal sobre a Operação Sem Refino e com reportagens sobre o conteúdo liberado pelo Supremo Tribunal Federal.


