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Acidente

Tragédia de Enchova completa 42 anos e mantém alerta sobre segurança no petróleo

Acidente na Bacia de Campos matou 37 trabalhadores em 1984 e permanece como um dos episódios mais graves da história da indústria petrolífera brasileira

Foto: Arquivo / Sindipetro-NF
Foto: Arquivo / Sindipetro-NF

Quarenta e dois anos depois, Enchova continua sendo um nome associado a um dos capítulos mais dolorosos da história da exploração de petróleo na Bacia de Campos. No último domingo, 16, a passagem de mais um ano da tragédia ocorrida na plataforma foi lembrada pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), que mantém a memória do acidente como parte da discussão sobre segurança no trabalho no setor.

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Na madrugada de 16 de agosto de 1984, um vazamento de gás durante uma operação em um poço provocou explosão e um incêndio de grandes proporções na Plataforma Central de Enchova. A emergência levou à ordem de abandono da unidade e os trabalhadores começaram a deixar a estrutura pelas baleeiras, embarcações destinadas justamente à evacuação em situações de risco.

Foi durante essa operação que a emergência se transformou em tragédia. Uma das baleeiras sofreu problemas durante a descida e despencou no mar. Trinta e sete trabalhadores morreram e outros ficaram feridos. O episódio é considerado um dos acidentes de trabalho mais graves da história da indústria brasileira de petróleo.

A dimensão do que ocorreu naquela madrugada também ajuda a explicar por que Enchova atravessou gerações entre os petroleiros. Relatos reunidos ao longo dos anos descrevem trabalhadores jovens, muitos deles sem experiência anterior diante de uma ocorrência daquela proporção, tentando abandonar uma plataforma tomada pelo fogo. Em depoimento recuperado pelo Sindipetro-NF, um trabalhador que estava em uma plataforma próxima contou que era possível enxergar as chamas a quilômetros de distância e acompanhar pelo rádio as informações sobre o resgate das vítimas.

Tragédia de Enchova completa 42 anos e mantém alerta sobre segurança no petróleo
Foto: Arquivo / Sindipetro-NF

Um acidente que mudou a discussão sobre segurança

Enchova não ficou restrita às estatísticas. A tragédia passou a ocupar espaço permanente na discussão sobre condições de trabalho, manutenção, treinamento e procedimentos de emergência nas operações offshore. Na época, entidades representativas dos trabalhadores questionaram as condições de segurança e relacionaram o acidente à pressão por metas de produção. Jorge Nascimento, então dirigente do Sindicato dos Engenheiros, denunciou publicamente que ocorrências menores poderiam estar sendo negligenciadas em meio à busca por aumento da produção. Décadas depois, ele voltou a recordar o episódio em atividade promovida pelo Sindipetro-NF.

Em abril de 1988, a plataforma voltou a sofrer um grave acidente, novamente após descontrole de um poço e incêndio. Desta vez, os trabalhadores conseguiram deixar a unidade sem mortes, mas o fogo se prolongou e a estrutura acabou severamente atingida.

Para o movimento sindical, é justamente a comparação entre episódios como esses que mantém Enchova atual mesmo quatro décadas depois. O Sindipetro-NF registra anualmente a data de 16 de agosto e utiliza a tragédia como referência nas campanhas de prevenção e cobrança por melhores condições de trabalho na Bacia de Campos.

Em 2024, quando o acidente completou 40 anos, a entidade promoveu a exposição “Enchova: Marcas da tragédia – 40 anos depois”, primeiro em Macaé e posteriormente em Campos dos Goytacazes. Fotografias, reportagens da época e depoimentos de sobreviventes ajudaram a reconstruir não apenas o acidente, mas o impacto que ele deixou sobre trabalhadores, familiares e sobre a própria história da indústria petrolífera regional.

Mais de quatro décadas depois daquela madrugada, a Bacia de Campos passou por profundas transformações tecnológicas e operacionais. A lembrança de Enchova, porém, permanece ligada a uma questão que não envelheceu com as plataformas: em uma atividade de alto risco, segurança, manutenção e preparação para emergências precisam acompanhar cada avanço da produção.

Para o Sindipetro-NF, manter os nomes e a história dos trabalhadores mortos em Enchova na memória das novas gerações é também uma forma de impedir que a tragédia seja reduzida a uma data no calendário. É uma lembrança que, 42 anos depois, continua funcionando como alerta.

ATUALIZADO ÀS 17h27  •   Alysson Nogueira  [ + ]  —   Diretor de Redação do NF10. Jornalista e comunicador apaixonado por histórias que conectam pessoas, instituições e comunidades.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
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