
Uma nova técnica estética que utiliza gordura de pessoas falecidas para preenchimentos corporais tem ganhado espaço em clínicas, principalmente nos Estados Unidos, e acendeu alerta entre especialistas. O método é divulgado como alternativa menos invasiva para aumentar glúteos, seios e outras partes do corpo, mas entidades médicas alertam para a falta de comprovação científica sobre a segurança do procedimento.
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O procedimento envolve um produto chamado AlloClae, desenvolvido pela empresa Tiger Aesthetics a partir de gordura humana doada. O material é processado e esterilizado em laboratório e depois utilizado como um tipo de preenchedor corporal pronto para uso, evitando que o paciente precise retirar gordura do próprio corpo por meio de lipoaspiração.
A técnica tem sido apresentada como solução mais rápida para quem busca contorno corporal ou aumento de volume em regiões como glúteos, seios e quadris. Clínicas afirmam que o método pode reduzir o tempo de recuperação e facilitar o procedimento, principalmente para pacientes muito magros que não têm gordura suficiente para enxertos tradicionais.
Mesmo com o alto custo, o procedimento tem atraído interessados. De acordo com relatos publicados na imprensa internacional, os valores podem variar de cerca de 10 mil dólares a até 100 mil dólares, dependendo da área tratada e da quantidade de material utilizada. Em algumas clínicas dos Estados Unidos já há inclusive filas de espera devido à procura.
Apesar da popularidade crescente, especialistas alertam que a técnica ainda não possui comprovação científica robusta sobre eficácia e segurança. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informou que não existem estudos suficientes que garantam a segurança do uso da gordura de doadores falecidos em procedimentos estéticos.
Entidades médicas alertam para riscos
Segundo especialistas, o uso desse tipo de material pode causar diversas complicações. Entre os possíveis problemas estão reações inflamatórias, formação de nódulos, infecções e até embolização, quando a gordura atinge vasos sanguíneos e provoca complicações graves.
O Cremesp ressalta que médicos não podem divulgar procedimentos ou medicamentos de forma sensacionalista nem induzir pacientes à garantia de resultados, comentou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo ao citar regras do Código de Ética Médica.
A entidade também reforçou que tratamentos ou descobertas sem comprovação científica não devem ser divulgados fora do meio científico até que haja reconhecimento por órgãos competentes e estudos que comprovem segurança e eficácia.