O Rio de Janeiro realizou no sábado, dia 5, o primeiro transplante de intestino do estado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A cirurgia ocorreu no Hospital Adventista Silvestre, no Cosme Velho, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, durou cerca de seis horas e foi realizada em Viviane de Freitas Vale, de 40 anos, após uma década de tratamento contra a doença de Crohn e um quadro de falência intestinal. Segundo a equipe médica, o órgão transplantado apresenta funcionamento adequado.
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Viviane passou por oito cirurgias ao longo dos últimos dez anos para retirar partes do intestino. Com a progressão da doença, perdeu a capacidade de absorver nutrientes e passou a depender de nutrição administrada diretamente na corrente sanguínea. O quadro se agravou depois que uma trombose comprometeu os acessos venosos usados para esse tratamento, inclusive em regiões do pescoço e das pernas.
A doação que tornou a cirurgia possível veio de uma criança de 5 anos que estava internada no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Depois da confirmação da morte cerebral, a família autorizou a doação dos órgãos. A compatibilidade pediátrica foi importante para o caso porque Viviane tem estrutura física pequena e precisava de um doador compatível.
Meu muito obrigado, porque eles transformaram a dor em amor. O sim da família me deu esse poder de continuar, afirmou Viviane após o procedimento.
A paciente completa 41 anos nesta quinta-feira, dia 10 poucos dias depois da cirurgia que encerrou uma espera marcada por internações, operações e dependência de nutrição intravenosa.
Procedimento de alta complexidade
O transplante intestinal exige uma logística rigorosa porque o órgão precisa permanecer o menor tempo possível fora do organismo. A equipe também precisa encontrar um doador com características físicas compatíveis. No caso de Viviane, o tamanho do corpo tornou necessária a busca por um doador pediátrico, uma situação considerada rara.
O transplante de intestino delgado e o transplante multivisceral foram incorporados ao SUS pelo Ministério da Saúde em fevereiro de 2025, para pacientes com falência intestinal e outras indicações. A decisão estabeleceu prazo de até 180 dias para efetivar a oferta dos procedimentos na rede pública. O relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde classificou a modalidade entre os procedimentos de altíssima complexidade.
Antes da incorporação, pacientes brasileiros que precisavam desse tipo de tratamento dependiam de encaminhamento para atendimento fora do país. A entrada da técnica no SUS criou a possibilidade de realização do procedimento em centros autorizados no Brasil. A recuperação de Viviane agora depende de acompanhamento médico contínuo para avaliar o funcionamento do órgão e controlar o risco de rejeição.


