PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
[PUBLICIDADE]
Emprego

Em crise, Casas Bahia fecha 298 lojas no país e abala economia de cidades do RJ e ES

Corte atinge quase 30% da rede e ocorre após sequência de prejuízos, demissões e forte pressão financeira sobre a varejista

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Grupo Casas Bahia fechou 298 lojas no Brasil em meio a uma das maiores crises financeiras recentes da companhia. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões e patrimônio líquido negativo de R$ 8,1 bilhões. Diante do cenário, a companhia avalia novas alternativas para renegociar suas dívidas, incluindo a possibilidade de recorrer à recuperação judicial ou extrajudicial.

Receba as notícias importantes do NF10 no seu Telegram

A reestruturação também provocou o desligamento de aproximadamente 2 mil funcionários. O fechamento das unidades reduz de forma significativa a rede física da companhia e faz parte das medidas adotadas para cortar despesas e reorganizar a operação. O prejuízo de R$ 10,1 bilhões foi impactado por baixas contábeis, impostos, revisão de contratos, custos com pessoal e despesas relacionadas ao encerramento das lojas.

A situação financeira do Grupo Casas Bahia já apresentava sinais de deterioração antes do resultado mais recente. A companhia acumula oito trimestres consecutivos de prejuízo e encerrou o segundo trimestre de 2026 com dívida líquida de R$ 1,2 bilhão. O cenário também é pressionado pelas taxas de juros elevadas e pela redução do poder de consumo das famílias, fatores que afetam diretamente as vendas de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos.

Lojas espalhadas pelos estados
No levantamento oficial da empresa realizado em maio de 2026, o Rio de Janeiro contava com 90 lojas da bandeira Casas Bahia e outras 42 unidades de marcas pertencentes ao Grupo Casas Bahia, como a Pontofrio. No Espírito Santo, a empresa mantinha 13 lojas da bandeira Casas Bahia e outras duas unidades de suas demais marcas, totalizando 15 pontos de venda no estado.

Até o momento, o Grupo Casas Bahia não divulgou uma relação oficial com todas as unidades que permanecerão fechadas. No entanto, entre as lojas que amanheceram fechadas na última sexta feira, dia 14, estão unidades localizadas em Campos dos Goytacazes, Macaé, Cabo Frio, Araruama, Saquarema, São Fidélis, Miracema, Bom Jesus do Itabapoana, Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo e Cordeiro, no Rio de Janeiro. No Sul do Espírito Santo, também foram registradas as lojas em Cachoeiro de Itapemirim e Marataízes.

O tamanho do corte nacional ajuda a dimensionar a crise enfrentada pela companhia. Antes da atual rodada de encerramentos, o Grupo Casas Bahia mantinha 1.039 lojas, sendo 922 da bandeira Casas Bahia e 117 de outras marcas, segundo os dados de maio. Com o fechamento anunciado de 298 unidades, a empresa reduz sua rede física em aproximadamente 29%, o equivalente a quase três em cada dez lojas que estavam em operação antes da reestruturação.

Prejuízo e risco de nova recuperação
O prejuízo de R$ 10,1 bilhões tornou 2026 um dos períodos mais críticos da história recente do Grupo Casas Bahia. A empresa já havia recorrido à recuperação extrajudicial em 2024 e agora avalia novamente mecanismos para renegociar suas obrigações financeiras.

A crise também provocou reação sindical. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região anunciou uma ação coletiva contra a empresa após demissões realizadas durante o fechamento das unidades. Segundo a entidade, aproximadamente 1.900 trabalhadores foram desligados em dois dias. A discussão envolve a forma como as dispensas coletivas foram realizadas.

O Grupo Casas Bahia ainda mantém operações físicas em dezenas de cidades brasileiras e continua com vendas pela internet. O fechamento de 298 unidades, portanto, representa uma mudança significativa na estrutura física da companhia, mas não significa o encerramento da rede no país.

As empresas que formam o Grupo
A história empresarial que levou ao atual do Grupo Casas Bahia passou por uma série de incorporações e mudanças de controle. Em 2009, o Grupo Pão de Açúcar adquiriu o controle do Ponto Frio, então chamado Globex, e firmou a associação das operações com as Casas Bahia. Em 2010, os ativos das Casas Bahia, incluindo lojas, marca, estoques, crediário e a fábrica Bartira, foram incorporados à Globex. Em 2012, a companhia passou a se chamar Via Varejo. Em 2016, houve uma reorganização e fusão com a Cnova. Em 2019, o Grupo Pão de Açúcar vendeu sua participação na Via Varejo em leilão na bolsa de valores, pulverizando o controle acionário. Em 2021, a empresa adotou o nome, em setembro de 2023, passou a se chamar oficialmente Grupo Casas Bahia.

A família fundadora
A família Klein deixou de controlar a operação das Casas Bahia antes das denúncias de crimes sexuais envolvendo o fundador Samuel Klein, morto em 2014. Em 2021, uma investigação jornalística reuniu relatos de dezenas de mulheres que acusaram o empresário de aliciamento e exploração sexual de crianças e adolescentes. As denúncias também envolveram o filho Saul Klein, que em maio de 2026 tornou-se réu por exploração sexual de mulheres e organização criminosa, após a Justiça aceitar parcialmente uma denúncia do Ministério Público de São Paulo.

A atual companhia afirma que a família Klein não exerce controle sobre o Grupo Casas Bahia, embora Raphael Oscar Klein, neto de Samuel Klein, atualmente integre o Conselho de Administração da empresa.

ATUALIZADO ÀS 17h45  •   Da Redação  [ + ]  —  Produzido pela equipe editorial e direção do portal NF10. Atuamos com apuração rigorosa, checagem de fatos e atualização constante para garantir informação confiável e relevante para todos.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
*PUBLICIDADE*
|PUBLICIDADE|
[PUBLICIDADE]
PUBLICIDADE
-PUBLICIDADE-
[PUBLICIDADE]
PUBLICIDADE
-PUBLICIDADE-
[PUBLICIDADE]