
O Ministério Público Federal notificou a TV Globo e recomendou a suspensão de dinâmicas consideradas extremas no Big Brother Brasil 26, como provas de resistência e castigos do “Monstro”. Para o órgão, os participantes não devem ser submetidos à privação de acesso a banheiros, água ou alimentação durante as atividades, por configurarem possíveis riscos à integridade física e à dignidade humana.
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A emissora também foi orientada a vetar provas que exijam mais de três horas ininterruptas em pé ou que envolvam isolamento com luzes intensas. Além disso, deve garantir intervalos regulares para descanso, alimentação e hidratação em disputas prolongadas, conforme destacado pelo MPF.
A TV Globo deve vetar provas que exijam mais de três horas ininterruptas em pé ou isolamento com luzes intensas. A emissora precisa, ainda, garantir intervalos regulares para descanso, alimentação e hidratação em disputas longas, destacou o MPF.
Após a notificação, o Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil para investigar possíveis práticas de tortura e tratamento degradante no Big Brother Brasil na edição deste ano. A apuração foi motivada por denúncias relacionadas a dinâmicas do programa que teriam exposto participantes a situações de risco físico e psicológico.
A investigação é conduzida pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, após o recebimento de representações que apontam possíveis violações à dignidade humana. Entre os pontos analisados estão provas de resistência e condições impostas pela produção que podem ter ultrapassado limites considerados aceitáveis para programas de entretenimento.
Um dos episódios citados envolve uma prova de resistência em que participantes teriam sido submetidos a situações extremas. Há relatos de problemas de saúde durante as dinâmicas, o que levantou questionamentos sobre a segurança e o acompanhamento oferecido aos confinados.
Outro foco da investigação é a dinâmica conhecida como “Quarto Branco”, que consiste no isolamento prolongado de participantes em ambiente controlado. O modelo foi alvo de críticas por entidades e especialistas, que apontam possíveis semelhanças com práticas de privação sensorial e psicológica.
As condições impostas pela produção expõem a saúde dos envolvidos a riscos, comentou o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo.
A emissora respondeu
Em resposta, a TV Globo informou que mantém acompanhamento médico permanente durante o programa, com equipes de saúde e suporte de emergência para atender os participantes em caso de necessidade. A emissora também afirmou que os protocolos de segurança são seguidos rigorosamente ao longo das atividades.
Debate sobre limites do entretenimento
O caso reacende o debate sobre os limites éticos dos reality shows e o uso de situações extremas como forma de engajamento do público. Especialistas apontam que, mesmo com consentimento dos participantes, é necessário garantir que não haja exposição a condições degradantes ou que coloquem em risco a integridade física e mental.

Foto: Reprodução/Globoplay