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Campos dos Goytacazes

Ponte Barcelos Martins completa 180 dias interditada e pesa no comércio de Campos

Bloqueio mudou a rotina de quem atravessava entre Guarus e o Centro e criou mais um desafio para comerciantes

Foto: Divulgação/Rodrigo Silveira
Foto: Divulgação/Rodrigo Silveira

Durante anos, a rotina de Alessandra Moreira, moradora de Guarus, incluía atravessar a centenária Ponte Barcelos Martins a pé para chegar ao Centro de Campos. O trajeto fazia parte do dia a dia para trabalhar, fazer compras ou resolver pendências. Desde que a estrutura foi interditada, em 28 de fevereiro, essa facilidade desapareceu. Para chegar ao outro lado do Rio Paraíba do Sul, ela precisa recorrer ao transporte público ou fazer um caminho maior.

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Antes eu atravessava a ponte andando e já estava no Centro. Hoje preciso dar uma volta, pegar ônibus ou gastar muito mais tempo. Às vezes, dependendo do que preciso comprar, prefiro resolver por aqui mesmo, relata.

A experiência resume um problema que se repete há mais de seis meses entre moradores de Guarus. E a mudança de caminho não afeta apenas quem precisa atravessar o rio. Do outro lado, comerciantes do Centro também sentem os efeitos de uma ligação interrompida com uma região onde vivem mais de 160 mil pessoas.

 

Ponte Barcelos Martins completa 180 dias interditada e pesa no comércio de Campos

 

A “Ponte de Ferro”, com é conhecida entre a população campista, completou 153 anos em abril desde ano e permanece sendo uma das conexões mais importantes entre Guarus e o Centro de Campos dos Goytacazes, sendo usada por pedestres e ciclistas. Antes de sua construção, a ligação entre as duas margens era feita por canoas, pranchas e barcas-pêndula, utilizadas tanto no transporte de pessoas quanto de mercadorias pelo Rio Paraíba do Sul, que tinha papel central na economia regional. Embora outras pontes sejam utilizadas como alternativas para veículos, elas não substituem da mesma forma a travessia para quem fazia o percurso sem carro.

Poucos dias depois da interdição, a Prefeitura criou uma linha especial de ônibus. A passagem custa R$ 3,50. Para um trabalhador que utilize o serviço na ida e na volta durante 22 dias úteis, são R$ 154 por mês — despesa que não existia para quem atravessava gratuitamente a pé ou de bicicleta.

Para o comércio, a conta é diferente, mas segue a mesma lógica: se chegar ao Centro ficou mais difícil, parte dos consumidores pode mudar seus hábitos.

É o que percebe Armando Costa, que mantém uma loja de produtos naturais há 15 anos na região central.

A gente tinha muitos clientes que vinham de Guarus e atravessavam a ponte. Depois que fechou, sentimos diferença no movimento. Tem cliente que comenta que está evitando vir porque ficou mais trabalhoso chegar ao Centro, afirma.

Não existe levantamento oficial que permita calcular quanto o comércio perdeu exclusivamente por causa da interdição. A Ponte de Ferro também não pode ser apontada como única responsável pelas dificuldades do setor, que já enfrentava fechamento de estabelecimentos e mudanças nos hábitos dos consumidores. Mas o bloqueio acrescentou uma barreira justamente quando o poder público tenta aumentar a circulação de pessoas na região central.

Ponte Barcelos Martins completa 180 dias interditada e pesa no comércio de Campos


Ponte chegou a ser fechada com ch
apas de ferro

A Barcelos Martins foi interditada depois que a cheia do Rio Paraíba do Sul provocou o recalque de um dos pilares do vão central. Mesmo com a proibição, pessoas continuaram tentando atravessar a estrutura. A Prefeitura precisou reforçar o bloqueio com chapas metálicas e atuação da Guarda Civil Municipal para impedir a passagem de pedestres. O episódio mostrou, na prática, a importância da ligação para quem busca uma travessia rápida entre Guarus e o Centro.

Contrato de R$ 3,6 milhões aponta para solução

Depois de meses de espera, a recuperação da ponte teve um avanço no fim de agosto. A Secretaria de Estado das Cidades contratou emergencialmente a FAB MIX Concretos Ltda. por R$ 3.608.355,09 para elaborar o projeto executivo e executar o reforço estrutural. O contrato foi assinado em 31 de agosto e estabelece prazo de 120 dias para execução dos serviços. Uma tentativa anterior de contratação, em julho, não conseguiu selecionar uma empresa habilitada. A contratação é, até agora, o passo mais concreto para a reabertura da Barcelos Martins. No entanto, na última atualização oficial disponível, a ordem para o início dos trabalhos ainda era aguardada.

Enquanto a obra não começa e a ponte não volta a receber pedestres, ciclistas e veículos, a consequência permanece dos dois lados do Paraíba do Sul: moradores gastam mais tempo e dinheiro para chegar ao Centro, enquanto comerciantes esperam recuperar um caminho que também levava consumidores até suas portas.

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ATUALIZADO ÀS 18h45  •   Da Redação  [ + ]  —  Produzido pela equipe editorial e direção do portal NF10. Atuamos com apuração rigorosa, checagem de fatos e atualização constante para garantir informação confiável e relevante para todos.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
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