A Justiça Federal determinou a retirada e demolição imediata de quiosques e bares instalados de forma irregular na Praia Brava, em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A decisão atende a uma ação do Ministério Público Federal, que apontou ocupação indevida em área de preservação permanente, com impacto direto sobre o meio ambiente e o ordenamento urbano da região.
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Segundo o MPF, as estruturas foram erguidas sem as devidas autorizações ambientais e urbanísticas, ocupando faixa de areia considerada bem da União. A decisão judicial estabelece a remoção imediata das construções, além da recuperação da área degradada, reforçando a proteção legal sobre espaços costeiros.
Entre os estabelecimentos atingidos está um dos pontos mais conhecidos da praia, frequentado por turistas e moradores. A medida gerou repercussão entre empresários do setor gastronômico e turístico, que temem prejuízos financeiros e mudanças no perfil de funcionamento da Praia Brava, tradicional destino de visitantes em Búzios.
A ação civil pública foi ajuizada pelo MPF em 2006 para combater a ocupação irregular da Praia Brava, onde foram instaladas estruturas como quiosques, palcos, tendas e mobiliário na faixa de areia, em Área de Preservação Permanente (APP) e em terrenos de marinha, bens pertencentes à União. O procurador responsável pelo caso destacou que a ação busca garantir o cumprimento da legislação ambiental.
Apesar de várias decisões da Justiça, inclusive confirmadas pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, a ocupação irregular persistiu e, segundo o procurador da República Leandro Mitidieri, chegou a se intensificar nos últimos anos, especialmente durante a alta temporada, ampliando a exploração econômica indevida e agravando os danos à restinga.
A ocupação irregular de áreas protegidas compromete o equilíbrio ambiental e o acesso público, sendo necessária a intervenção para assegurar a preservação do espaço, comentou, por nota, o procurador responsável pela ação.
Pela decisão, os responsáveis por estabelecimentos Pousada Club Brava e Rocka Búzios, antigo Camarão Preto, terão 90 dias para desocupar os espaços, demolir as estruturas e retirar os resíduos. Caso contrário, será aplicada multa diária de R$ 5 mil.

Ponto Gastronômico
O Rocka Búzios ganhou notoriedade ao longo dos anos por unir gastronomia sofisticada e ambiente à beira-mar. Com proposta que combina restaurante e beach club, o espaço atrai turistas de alto padrão e frequentadores assíduos, além de já ter figurado em rankings e premiações gastronômicas. O estabelecimento se tornou parte da identidade turística da praia, mesmo diante das discussões sobre a regularidade de sua ocupação. Empresários que atuam na região avaliam alternativas diante da decisão judicial.
Estamos aqui há 17 anos, pagamos todas as taxas legais, é uma lástima. Desde o começo pago impostos certinho, tenho selo ambiental, controle de esgoto e emprego 24 moradores da cidade. No pior dos cenários, vamos nos mudar, disse o chef argentino Gustavo Rinkevich, proprietário do Rocka Búzios.

Clube à beira-mar
Instalada em uma área ampla próxima à faixa de areia, a Pousada Club Brava reúne, em um único espaço, serviços de hospedagem e um beach club. O local conta com ampla área de eventos, bar, restaurante, lounges e programação musical frequente, atraindo público jovem e turistas em busca de festas à beira-mar.
Desde o início de suas atividades, ainda na segunda metade da década de 2010, o empreendimento passou a ganhar visibilidade, mas também se tornou alvo de críticas e reclamações, principalmente relacionadas ao volume do som, à ocupação do espaço e a possíveis impactos ambientais.
Moradores e frequentadores da região já relataram incômodos com o barulho e a movimentação intensa, o que colocou o estabelecimento no centro de debates sobre ordenamento, uso da área pública e limites da atividade econômica em regiões de preservação. Os responsáveis pelo empreendimento não se manifestaram sobre a decisão judicial e as reclamações de moradores.

Impacto ambiental e turístico
A Praia Brava é conhecida por suas características naturais preservadas, com vegetação nativa e forte apelo turístico. Especialistas apontam que a retirada das estruturas pode contribuir para a recuperação ambiental da área, reduzindo impactos como erosão, descarte irregular de resíduos e ocupação desordenada.
Por outro lado, a decisão também levanta debates sobre o equilíbrio entre preservação ambiental e atividade econômica em destinos turísticos consolidados. A expectativa é que novas definições sobre o uso da área sejam discutidas nos próximos meses, considerando tanto a legislação vigente quanto o desenvolvimento sustentável da região.

