O feriado de São Jorge, celebrado em 23 de abril, mobiliza milhares de fiéis e provoca mudanças na rotina de serviços e comércio no estado do Rio de Janeiro. A data foi instituída como feriado estadual em 2008, após a sanção da Lei nº 5.198, consolidando oficialmente uma tradição já amplamente difundida entre a população fluminense. Antes disso, o dia já era marcado por celebrações religiosas e ponto facultativo em algumas localidades.
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Como feriado oficial, órgãos públicos estaduais, escolas e repartições não funcionam. Bancos permanecem fechados, enquanto o comércio pode operar de forma parcial, dependendo de acordos coletivos. Shoppings centers, bares e restaurantes costumam abrir com horários diferenciados. Já serviços essenciais, como saúde, segurança e transporte, mantêm atendimento normal ou em regime de plantão para garantir o funcionamento da cidade.
Santo Guerreiro
A data é dedicada a São Jorge, figura histórica associada a um soldado romano do século III que teria sido martirizado por não renunciar à fé cristã. Sua imagem, tradicionalmente representada a cavalo derrotando um dragão, simboliza a vitória do bem sobre o mal, além de coragem, proteção e resistência diante das adversidades.
No contexto fluminense, a devoção ganha força com o sincretismo religioso, que associa São Jorge ao orixá Ogum. Essa relação amplia o significado da celebração, reunindo diferentes tradições religiosas em manifestações que incluem missas, procissões, rodas de samba, oferendas e rituais. A fé popular se expressa de forma intensa, especialmente em bairros tradicionais do Rio de Janeiro.
Tradições, símbolos e manifestações populares
As comemorações começam ainda na madrugada, com a chamada Alvorada de São Jorge, marcada por fogos, cânticos e encontros de devotos. Ao longo do dia, fiéis utilizam roupas nas cores vermelho e branco, carregam imagens do santo e participam de celebrações religiosas. A feijoada, prato tradicionalmente associado à data, também se destaca como elemento cultural, reunindo famílias e grupos em torno da celebração.
A devoção a São Jorge ultrapassa o Além do aspecto religioso, o feriado também tem forte dimensão cultural. A figura de São Jorge está presente na música, na literatura e nas manifestações populares, consolidando-se como símbolo de resistência e identidade no estado. Expressões como “Salve Jorge” fazem parte do cotidiano e refletem a devoção popular.
Tradição nas cidades fluminenses
Nas cidades do Rio de Janeiro, a data assume um caráter único, marcado pela mistura de fé, cultura e identidade popular. Além das celebrações tradicionais na capital, Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias mantêm festividades consolidadas. Nas outras cidades fluminenses, a devoção também mobiliza comunidades inteiras.
- Campos dos Goytacazes: a festa é no Parque São Jorge reúne alvorada, café comunitário, procissão e missa solene, além de eventos culturais como feijoadas e rodas de samba.
- Maricá: a celebração no Espraiado combina fé e tradição rural, com cavalgadas que reúnem cavaleiros de diferentes regiões do município em homenagem ao santo, no bairro Manoel Ribeiro.
- Nova Friburgo: a festa acontece no Mercado do Produtor da Região Serrana, na Ceasa, em Conquista, distrito de Campo do Coelho, com cavalgadas que percorrem áreas urbanas e rurais, reforçando a tradição local.
- Casimiro de Abreu: especialmente no distrito de Barra de São João, a programação inclui vários dias de atividades religiosas e shows, evidenciando a força cultural e popular da data em diferentes regiões do estado.
Legislação
Além do aspecto religioso, o feriado também levanta questões trabalhistas. Quem exerce atividade no dia 23 de abril tem direito, em geral, a pagamento em dobro ou folga compensatória, conforme a legislação e acordos coletivos. A data, portanto, reúne não apenas devoção, mas também impactos diretos na economia e no cotidiano da população, consolidando-se como uma das celebrações mais expressivas do calendário fluminense.

