Quando criança, Thiago Khenayfis acompanhava com entusiasmo os álbuns das Copas de 1994 e 1998. Mas, diferente do que acontece hoje com a filha Helena, o médico de 39 anos costumava viver essa experiência sozinho. Por causa da rotina de trabalho do pai, as figurinhas eram coladas sem companhia, enquanto as repetidas seguiam para as tradicionais trocas com amigos da escola e da rua.
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Em uma época marcada pelo uso constante de celulares, tablets e videogames, o álbum de figurinhas se transformou em um momento de conexão familiar dentro de casa.
É quase um ritual. Chegamos em casa, abrimos os pacotinhos e colamos juntos. Esperamos para fazer isso juntos, conta Thiago.

A rotina é especialmente significativa para a família. Como médico, ele convive com dias corridos e longas jornadas de trabalho, mas encontrou nos poucos minutos dedicados ao álbum uma forma de fortalecer ainda mais a convivência com a filha.
Sentimos que estamos juntos nessa jornada e sabemos que podemos contar um com o outro, afirma.
Para Helena, a experiência vai muito além de completar páginas.
O mais legal é abrir os pacotinhos por causa do suspense de descobrir qual figurinha vai vir, conta a criança, que ganhou seu primeiro álbum da avó Rosali Amoyr, mãe de Thiago.
Entre as mais desejadas pela menina estão as versões brilhantes de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, além das figurinhas dos mascotes. Mas o que mais a empolga não é apenas encontrar cromos raros.
Eu adoro passar esse tempo com ele. Normalmente ele fica mais tempo no trabalho, então é muito legal ficar fazendo isso com o papai, diz.
Muito além do futebol

Embora o futebol seja o tema central do álbum, o que acontece ao redor dele é o que realmente chama a atenção. Todas as noites, a família reserva alguns minutos para abrir pacotinhos, organizar as páginas e celebrar quando aparece alguma figurinha especial.
A emoção é tão grande que Helena já pensa com saudade no dia em que a coleção estiver completa.
Vou sentir muita saudade de sentar na mesa todo dia à noite e colar figurinha com meu pai e minha mãe, afirma.
Para Thiago, a experiência também tem um significado especial por representar algo que ele não viveu da mesma forma na infância. Hoje, a intenção é deixar uma lembrança diferente para a filha.
Espero que ela leve dessa experiência que pode contar sempre com o pai dela para tudo o que precisar, destaca.
Além da convivência familiar, ele acredita que atividades como essa ajudam a mostrar às crianças que existem formas de diversão além das telas.
É importante mostrar que existe muita diversão em trabalhos manuais, ressalta.
Mais do que figurinhas
A coleção oficial da Copa reúne 980 cromos, sendo 68 especiais, e mobiliza crianças e adultos em todo o país. Mas, para muitas famílias, o valor do álbum vai além da busca pelas figurinhas mais raras.
No caso de Thiago e Helena, o álbum acabou se tornando uma oportunidade para desacelerar a rotina, compartilhar experiências e criar memórias que permanecerão muito depois que a última figurinha for colada.
Porque, no fim das contas, algumas das melhores histórias não estão nas páginas do álbum, mas nos momentos vividos ao redor dele.

