O aumento do número de resgates em trilhas, matas e florestas no estado do Rio de Janeiro tem acendido um alerta para a segurança de quem pratica atividades em meio à natureza. Somente neste ano, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro realizou 190 salvamentos nesses ambientes, um crescimento de 31% em relação ao mesmo perÃodo de 2025, quando foram contabilizados 145 atendimentos.
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O cenário ganhou ainda mais repercussão após duas mortes registradas em menos de 15 dias em Maricá, na Região dos Lagos, um dos principais destinos para praticantes de trilhas, escaladas e rapel no estado. Embora os casos tenham ocorrido em circunstâncias diferentes e ainda sejam investigados, ambos reforçam a importância do planejamento e da adoção de medidas preventivas antes de qualquer atividade em áreas naturais.
No último dia 29 de junho, um homem morreu após cair de um penhasco durante uma trilha rumo à Pedra do Macaco. Cerca de duas semanas antes, uma mulher perdeu a vida durante uma descida de rapel na Gruta do Spar. Os dois locais são conhecidos por receber visitantes em busca de aventura e contato com a natureza.

Para o Corpo de Bombeiros, a maioria dos acidentes pode ser evitada com planejamento e comportamento seguro.
A prevenção de acidentes em trilhas começa na sua casa, resume o porta-voz da corporação, tenente-coronel Fábio Contreiras.
Segundo o oficial, o primeiro passo é pesquisar previamente o percurso, conhecer o grau de dificuldade da trilha e identificar os trechos que apresentam maior risco. Também é importante avaliar se a atividade é compatÃvel com o condicionamento fÃsico de cada participante.
Outro ponto destacado é a contratação de um guia experiente e cadastrado em portais oficiais de turismo, principalmente para quem não conhece a região. De acordo com ele, a falta de conhecimento sobre o terreno pode aumentar significativamente o risco de acidentes.
O Corpo de Bombeiros recomenda o uso de botas ou tênis especÃficos para trilhas, que oferecem maior aderência e estabilidade em terrenos irregulares. Já calçados destinados à corrida em áreas urbanas podem escorregar com facilidade sobre pedras e superfÃcies molhadas, comprometendo o equilÃbrio do praticante.
Nos mirantes e penhascos, a orientação é manter uma distância mÃnima de cerca de dois metros da borda. Segundo a corporação, essas áreas podem apresentar erosões que não são perceptÃveis, aumentando o risco de desmoronamentos e quedas.
Durante a caminhada, pequenas atitudes também ajudam a reduzir os riscos. Em trechos estreitos ou inclinados, a recomendação é manter os joelhos levemente flexionados para melhorar o equilÃbrio. Ao passar por pedras ou locais de maior inclinação, a orientação é utilizar sempre três pontos de apoio, mantendo duas mãos e um pé ou dois pés e uma mão em contato com a superfÃcie.
Para grupos, o espaçamento entre os participantes também é considerado importante. Os bombeiros orientam que seja mantida uma distância de três a quatro metros entre uma pessoa e outra para evitar o chamado “efeito dominó”, quando o desequilÃbrio de um integrante pode provocar a queda dos demais.
As condições climáticas merecem atenção especial. Em caso de rajadas fortes de vento, a recomendação é interromper o deslocamento, abaixar o corpo para preservar o equilÃbrio e aguardar até que seja seguro continuar a atividade.
Caso ocorra um acidente, a orientação é não tentar realizar o resgate sem preparo técnico. O procedimento correto é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e informar, sempre que possÃvel, a localização exata da vÃtima por meio do GPS do celular, agilizando a chegada das equipes de socorro.
Para o tenente-coronel Fábio Contreiras, trilhas, escaladas e rapel podem proporcionar experiências marcantes, desde que sejam praticados com responsabilidade e respeito aos limites do ambiente e dos próprios participantes.
O contato com a natureza proporciona experiências únicas, mas exige respeito aos limites do ambiente e aos próprios limites fÃsicos. A prevenção continua sendo a melhor forma de evitar tragédias, conclui.

