O perÃodo das festas juninas e julinas é sinônimo de alegria, dança e comidas tÃpicas, mas também acende um sinal de alerta vermelho nos hospitais e centros de tratamento de queimados em todo o paÃs. O manuseio inadequado de fogos de artifÃcio, o acendimento de fogueiras e a proximidade de crianças com substâncias inflamáveis provocam um aumento histórico no número de atendimentos de emergência decorrentes de queimaduras graves e mutilações durante os meses de junho e julho.
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De acordo com dados do Ministério da Saúde, a maior parte dos acidentes registrados nesta época do ano envolve o uso incorreto de artefatos explosivos — desde as pequenas “bombinhas” e estalos de salão, frequentemente associados ao público infantil, até rojões de grande porte manejados por adultos. Além das lesões térmicas na pele, os acidentes com fogos podem resultar em traumas auditivos, lesões oculares graves e perdas de membros, transformando momentos de celebração em tragédias familiares.
Principais fatores de risco e o perigo das fogueiras
As tradicionais fogueiras, sÃmbolos centrais dos arraiais, representam outra grande fonte de internações. O maior erro apontado pelas equipes de resgate ocorre no momento de acender a lenha. O uso de combustÃveis lÃquidos altamente voláteis, como o álcool de cozinha ou a gasolina, causa explosões imediatas que atingem o rosto e o tórax de quem está operando o fogo.
Especialistas alertam que o perigo permanece mesmo após a festa acabar. As brasas que ficam escondidas sob as cinzas da fogueira continuam ativas por muitas horas e são responsáveis por graves queimaduras na sola dos pés, principalmente de crianças que circulam pelas áreas de festa no dia seguinte.
Recomendações de segurança e primeiros socorros
Para garantir uma diversão segura e sem imprevistos, as autoridades listam recomendações fundamentais de prevenção:
- Manuseio restrito:
- Fogos de artifÃcio nunca devem ser disparados em direção a pessoas, fiações elétricas ou vegetação seca. O acendimento deve seguir rigorosamente as instruções da embalagem.
Supervisão total: Crianças jamais devem manipular bombinhas ou brincar perto de fogueiras sem a supervisão direta e atenta de um adulto responsável.
- Fogos de artifÃcio nunca devem ser disparados em direção a pessoas, fiações elétricas ou vegetação seca. O acendimento deve seguir rigorosamente as instruções da embalagem.
- Comércio legalizado:
- Artefatos explosivos devem ser adquiridos exclusivamente em estabelecimentos credenciados pelo Corpo de Bombeiros e que possuam selo de garantia dos órgãos de segurança.
O que fazer em caso de acidente?
- Artefatos explosivos devem ser adquiridos exclusivamente em estabelecimentos credenciados pelo Corpo de Bombeiros e que possuam selo de garantia dos órgãos de segurança.
Se ocorrer uma queimadura, a orientação médica imediata é lavar a área afetada apenas com água corrente fria e limpa para resfriar a pele. Nunca aplique produtos caseiros — como pasta de dente, manteiga, borra de café ou pomadas sem prescrição — pois essas substâncias aumentam o risco de infecções graves e dificultam a avaliação médica. O ferimento não deve ser coberto com tecidos que soltem fiapos. O atendimento especializado deve ser buscado imediatamente acionando o SAMU pelo número 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Soltar balões é crime ambiental com pena de prisão
Embora as festividades do meio do ano resgatem tradições culturais, uma prática em especÃfico ultrapassa os limites da lei e gera consequências devastadoras: a soltura de balões. Classificada como crime ambiental pela legislação brasileira, a atividade ganha força de forma clandestina durante o perÃodo junino e julino, acendendo o alerta das autoridades devido aos imensos riscos à natureza e à segurança pública.
Diferente dos fogos de artifÃcio e das fogueiras, que possuem áreas de impacto controladas, o balão é um perigo flutuante imprevisÃvel. Levado pelas correntes de ar, ele pode viajar por dezenas de quilômetros e cair em qualquer local enquanto a bucha ainda está acesa, atuando como um pavio para grandes desastres.
Os severos riscos ambientais e estruturais
O impacto do caimento de um balão é imediato e, frequentemente, catastrófico. As principais ameaças incluem:
- Destruição de florestas e fauna
- É uma das maiores causas de incêndios florestais no paÃs. O fogo destrói instantaneamente áreas de preservação, consome a flora nativa e provoca a morte carbonizada ou o desalojamento de animais silvestres.
- Apagões e danos à rede elétrica
- Quando os balões atingem fios de alta tensão, causam curtos-circuitos, danificam transformadores e podem deixar bairros ou cidades inteiras sem energia elétrica, além de gerar risco de eletrocussão.
- Risco ao tráfego aéreo
- Balões cruzando rotas de aeronaves representam uma ameaça invisÃvel para a aviação comercial e helicópteros de resgate. O choque com a fuselagem ou a aspiração do artefato pelas turbinas de um avião pode provocar acidentes aéreos de grandes proporções.
O que diz a lei: crime inafiançável e prisão
Fabricar, vender, transportar ou soltar balões não é uma simples infração administrativa, mas sim um crime previsto no Artigo 42 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).
A legislação estipula pena de 1 a 3 anos de detenção, além do pagamento de multas pesadas que podem chegar a valores altÃssimos de acordo com a extensão do dano provocado. A punição se aplica tanto para quem solta o balão quanto para quem faz parte dos chamados “grupos de baloeiros” que fabricam ou perseguem os artefatos para resgate.
As autoridades reforçam que a colaboração da população é fundamental para coibir a prática. Ao avistar a fabricação, o transporte ou a soltura de balões, o cidadão deve denunciar imediatamente ligando para a PolÃcia Militar (190) ou por meio do Disque Denúncia / Linha Verde (0300 253 1177).

