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Quissamã

Comunidade Machadinha, em Quissamã, recebe jovens para imersão na ancestralidade

Projeto da Tenda Espírita Xangô Menino levou crianças e adolescentes do Grupo de Evangelização para uma vivência na história e na cultura afro-brasileira

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Conhecer a ancestralidade para fortalecer a identidade e transformar o respeito em prática. Foi com esse propósito que mais de 50 crianças e adolescentes da Tenda Espírita Xangô Menino, de Macaé, participaram, neste fim de semana, de uma visita à Comunidade Quilombola de Machadinha, em Quissamã, no Norte Fluminense. A atividade integrou o projeto de evangelização “Raízes de Axé – Conhecer para Respeitar, Viver e Compartilhar”, que utiliza experiências culturais para aproximar as novas gerações da história e das tradições afro-brasileiras.

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Durante a programação, o grupo conheceu a história da antiga Fazenda Machadinha, participou de uma oficina de Jongo conduzida pela jongueira Janaína Pessanha, ouviu relatos sobre a formação da comunidade quilombola e compartilhou momentos de convivência em um piquenique coletivo. A proposta foi permitir que os participantes compreendessem, na prática, o significado da ancestralidade e da resistência preservadas naquele território.

A secretária municipal de Cultura, Patrimônio Histórico e Lazer de Quissamã, Amanda Fragoso, destacou que receber iniciativas como essa fortalece o papel de Machadinha como espaço de preservação da memória e de educação patrimonial.

É um grande prazer receber a Tenda Espírita Xangô Menino na Comunidade Quilombola de Machadinha e compartilhar conosco um pouco da nossa cultura, dos nossos valores e conhecer de perto a história da nossa gente, afirmou.

Comunidade Machadinha, em Quissamã, recebe jovens para imersão na ancestralidade
Foto: Divulgação

Aprender para pertencer

A visita à Comunidade Quilombola de Machadinha integra um dos principais eixos do projeto Raízes de Axé, que prevê o contato direto com patrimônios históricos e manifestações culturais afro-brasileiras como ferramenta para fortalecer o sentimento de pertencimento, preservar a memória coletiva e promover o respeito à diversidade. Para a idealizadora do projeto, a orientadora pedagógica Cristina Crespo, a iniciativa nasceu para aproximar crianças e adolescentes de suas raízes por meio de experiências que despertam o sentimento de pertencimento e valorizam a cultura afro-brasileira.

O objetivo é valorizar e resgatar a ancestralidade de uma forma lúdica. As crianças precisam dessas experiências para compreender a importância da contribuição dos nossos ancestrais na construção da sociedade e reconhecer que fazem parte dessa história, pontua.

Segundo Cristina, o projeto também busca enfrentar a intolerância religiosa por meio da educação e do conhecimento.

Infelizmente ainda convivemos com preconceito e discriminação religiosa. Queremos jovens e crianças conscientes da sua história, que valorizem suas raízes e compreendam a importância da ancestralidade para a construção da identidade, ressalta.

Responsável pela oficina de Jongo, Janaína Pessanha ressaltou que compartilhar os saberes da comunidade com o grupo, é uma forma de manter viva uma tradição construída ao longo de gerações.

Mostramos que nossa cultura vai muito além da dança. Existe uma história de resistência, de memória e de identidade que precisa continuar sendo conhecida, conta.

Ela explica que esse trabalho também acontece diariamente com as crianças da própria comunidade.

Nós transmitimos aquilo que aprendemos com nossos mais velhos para as novas gerações, porque sabemos que, futuramente, serão elas que continuarão preservando essa tradição. Receber crianças de outros lugares fortalece ainda mais essa troca e ajuda a manter viva a nossa cultura, finaliza.

Alysson Nogueira —  Diretor de Redação do NF10. Jornalista e comunicador apaixonado por histórias que conectam pessoas, instituições e comunidades.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
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