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Emprego

Desenrola 2.0 fixa descontos de até 90% das dívidas atrasadas: como participar

Programa do governo detalha regras, público-alvo e condições para renegociação

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O governo federal lançou o Desenrola Brasil 2.0 com um modelo mais estruturado de renegociação de dívidas, baseado em faixas de desconto progressivas e novas regras de financiamento. O Ministério da Fazenda publicou, nesta terça-feira, dia 5, uma portaria que regulamenta a medida provisória que criou o Desenrola 2.0. 2026, que permite abatimentos que variam entre 30% e 90%, dependendo do tipo de dívida e do tempo de atraso, além de juros reduzidos e prazos ampliados para pagamento.

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Na prática, o programa funciona como uma troca de dívidas caras por um novo contrato com condições mais acessíveis. O valor renegociado terá juros limitados a até 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 vezes e carência de até 35 dias para o início do pagamento. O limite da nova dívida é de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira.

O governo liberou o uso de até 20% do FGTS para quitar ou para reduzir o tamanho das dívidas. Para isso, segundo a portaria do Ministério da Fazenda, a instituição financeira que desejar participar do programa deverá informar à Caixa Econômica Federal qual será a destinação do saldo disponível na conta do beneficiário.

Após essa comunicação, os recursos serão transferidos ao banco do cidadão que estiver em processo de renegociação de sua dívida. A Caixa terá até 30 dias para liberar o recurso, em uma operação, portanto, entre bancos.

Quem pode participar
O Desenrola 2.0 é voltado principalmente para pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a cerca de R$ 8.105. Também foram incluídos novos públicos, como estudantes com dívidas do Fies, micro e pequenas empresas e produtores rurais, ampliando o alcance da política pública.

Para entrar no programa, o interessado precisa ter dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e até dois anos. As renegociações devem ser feitas diretamente com bancos e instituições financeiras participantes, por meio de canais digitais ou agências.

Quais dívidas entram
O foco da estratégia do governo para reduzir o endividamento das famílias são modalidade de crédito com juros escalonado. O programa prioriza débitos com juros elevados, incluindo:

  • Cartão de crédito e Cheque especial
    • Desconto de 40%: para atraso entre 91 a 120 dias;
    • Desconto de 45%: para atraso entre 121 a 150 dias;
    • Desconto de 50%: para atraso entre 151 a 180 dias;
    • Desconto de 55%: para atraso entre 181 a 240 dias;
    • Desconto de 70%: para atraso entre 241 a 300 dias;
    • Desconto de 85%: para atraso entre 301 a 360 dias;
    • Desconto de 90%: para atraso entre 361 a 720 dias;
  • Cartão Parcela do e Crédito pessoal (CDC)
    • Desconto de 30%: para atraso entre 91 a 120 dias;
    • Desconto de 35%: para atraso entre 121 a 150 dias;
    • Desconto de 40%: para atraso entre 151 a 180 dias;
    • Desconto de 45%: para atraso entre 181 a 240 dias;
    • Desconto de 60%: para atraso entre 241 a 300 dias;
    • Desconto de 75%: para atraso entre 301 a 360 dias;
    • Desconto de 80%: para atraso entre 361 a 720 dias.
  • Crédito rotativo
  • Dívidas do Fies

Como funcionam as faixas de desconto
O principal diferencial do Desenrola 2.0 é o sistema de descontos escalonados. O percentual de abatimento varia conforme o tempo de atraso e o tipo de crédito:

  • Dívidas com 90 a 120 dias de atraso: descontos entre 30% e 40%
  • Dívidas entre 6 meses e 1 ano: descontos progressivos entre 50% e 75%
  • Dívidas com mais de 1 ano: podem chegar a 80% ou até 90%
  • No caso de cartão de crédito e cheque especial, os descontos tendem a ser maiores, podendo atingir até 90% em débitos mais antigos. Já no crédito pessoal, os abatimentos começam menores, mas também podem chegar a cerca de 80% dependendo do tempo de inadimplência.
  • Além disso, dívidas de até R$ 100 poderão ser totalmente perdoadas pelos bancos, como forma de limpar cadastros negativos e estimular o retorno ao crédito.

Uso do FGTS e novas garantias
Uma das principais novidades é a possibilidade de utilizar até 20% do saldo do FGTS, ou até R$ 1 mil, para quitar ou reduzir dívidas. O uso do fundo será vinculado diretamente à renegociação, funcionando como garantia para reduzir o risco das operações.

O programa também conta com o Fundo Garantidor de Operações, que cobre parte do risco para os bancos em caso de inadimplência futura. Isso permite que as instituições ofereçam descontos maiores e condições mais vantajosas.

Como aderir passo a passo ao Desenrola 2.0

  • Verificar se atende ao critério de renda – até cinco salários mínimos
  • Consultar suas dívidas em bancos ou instituições financeiras
  • Acessar os canais oficiais das instituições participantes
  • Escolher a proposta de renegociação com desconto
  • Optar por pagamento à vista ou parcelado
  • Confirmar o contrato com as novas condições
  • Após a adesão, o nome do consumidor pode ser retirado de cadastros de inadimplência, permitindo o retorno ao crédito no mercado.

Impacto econômico
O programa surge em um cenário de alta inadimplência no país e busca estimular o consumo ao reduzir o peso das dívidas no orçamento das famílias. A expectativa do governo é alcançar milhões de brasileiros e movimentar bilhões de reais em renegociações ao longo dos 90 dias de vigência inicial da medida.

Com descontos agressivos, juros reduzidos e novas regras de acesso, o Desenrola 2.0 se consolida como uma das principais estratégias econômicas do governo federal para reequilibrar as finanças das famílias e reativar o crédito no Brasil.

ATUALIZADO ÀS 09h13  •   Da Redação — Produzido pela equipe editorial e direção do portal NF10. Atuamos com apuração rigorosa, checagem de fatos e atualização constante para garantir informação precisa, confiável e relevante para todos.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
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