Um estudo publicado na revista científica Neotropical Ichthyology revelou níveis elevados de mercúrio em exemplares de bonito-pintado (Euthynnus alletteratus) pescados na costa de Arraial do Cabo e vendidos em Cabo Frio, ambas cidades da Região dos Lagos.
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A pesquisa analisou 30 peixes comercializados na região e apontou que metade das amostras apresentou concentração de mercúrio acima do limite permitido pela legislação brasileira para peixes predadores. Em alguns casos, os índices chegaram a quase o dobro do valor considerado seguro para consumo humano.

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Instituto Federal Fluminense (IFF), da UERJ e do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), em Arraial do Cabo.
Segundo o estudo, o bonito-pintado é uma espécie bastante consumida na Região dos Lagos, principalmente em Cabo Frio e Arraial do Cabo, onde a pesca tem forte importância econômica e cultural. Os pesquisadores destacam que o consumo ocasional não é motivo para alarme, mas reforçam a necessidade de atenção ao consumo frequente, especialmente por crianças e gestantes, considerados grupos mais vulneráveis aos efeitos do mercúrio no organismo.
O estudo também relaciona o cenário ao fenômeno da ressurgência marinha, típico de Arraial do Cabo, que aumenta a produtividade pesqueira da região ao trazer águas profundas e ricas em nutrientes para a superfície. Segundo os autores, esse processo também pode favorecer a circulação de mercúrio na cadeia alimentar marinha.
De acordo com a pesquisa, o bonito-pintado ocupa posições mais altas na cadeia alimentar e, por isso, tende a acumular maiores concentrações de metais ao longo da vida.
Os autores defendem o monitoramento contínuo da qualidade dos peixes comercializados no litoral fluminense e afirmam que ainda existem poucos estudos sobre a presença de mercúrio em áreas de ressurgência como a Região dos Lagos.
O estudo completo pode ser lido aqui.

