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Estados

Governo federal ganha aval para reduzir impostos sobre combustíveis

Lei permite usar receitas extras do petróleo para bancar cortes em tributos sobre gasolina, diesel e etanol

Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O governo federal ganhou um novo instrumento para tentar conter os preços dos combustíveis diante dos impactos do conflito no Oriente Médio. Foi sancionado, sem vetos, a Lei Complementar nº 235, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, dia 28.

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A norma autoriza o Executivo federal a reduzir tributos incidentes sobre a importação, a produção e a comercialização de gasolina, diesel rodoviário, biodiesel, etanol e querosene de aviação. A perda de arrecadação poderá ser compensada pelo aumento extraordinário das receitas obtidas com a valorização internacional do petróleo.

Entre as fontes que poderão bancar os cortes estão royalties, participações especiais, tributos e dividendos recebidos pela União de empresas do setor de óleo e gás. Segundo dados apresentados pelo Executivo, a arrecadação federal com petróleo e gás chegou a R$ 28 bilhões entre janeiro e março de 2026, contra R$ 9 bilhões no mesmo período de 2025.

A sanção, porém, não significa uma queda imediata dos preços nos postos. A lei não fixa novas alíquotas nem determina um desconto específico por litro. Para efetivar as reduções, o governo ainda precisará publicar atos próprios, acompanhados das estimativas de impacto e da indicação das receitas utilizadas na compensação.

O preço final também dependerá das cotações nas refinarias e importações, das margens de distribuidoras e postos e do ICMS cobrado pelos estados.

Governo já adotou medidas sobre o diesel

A nova lei reforça uma estratégia iniciada pelo governo federal em março. Na ocasião, foram zeradas as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel, além da criação de uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores.

O Ministério da Fazenda estimou que as duas medidas poderiam representar uma redução total de até R$ 0,64 por litro do diesel na refinaria. O objetivo era impedir que a alta internacional do petróleo pressionasse os preços dos fretes, dos alimentos e de outros produtos transportados pelas rodovias brasileiras.

Em maio, o governo ampliou a política de subvenções para alcançar também a gasolina. O modelo funciona como um ressarcimento às empresas que concedem o desconto na comercialização dos combustíveis.

Com a nova legislação, o Executivo passa a ter uma base fiscal mais ampla para continuar adotando cortes tributários ao longo de 2026, financiando as medidas com as receitas adicionais proporcionadas pelo próprio aumento do petróleo.

Etanol terá proteção tributária
A lei determina que os benefícios concedidos à gasolina e ao diesel preservem a competitividade dos biocombustíveis. Se o governo reduzir a tributação federal da gasolina em 30% ou mais, as alíquotas aplicadas ao etanol deverão ser zeradas.

Também está prevista uma subvenção de até R$ 1,2 bilhão para produtores e cooperativas de etanol hidratado. O auxílio busca compensar os efeitos do subsídio concedido à gasolina entre 25 de maio e 11 de agosto.

Além dos combustíveis, a legislação abre caminho para benefícios tributários destinados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e ao desenvolvimento da indústria brasileira de fertilizantes e bioinsumos.

ATUALIZADO ÀS 08h51  •   Alysson Nogueira  [ + ]  —   Diretor de Redação do NF10. Jornalista e comunicador apaixonado por histórias que conectam pessoas, instituições e comunidades.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
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