O Porto Central, complexo industrial portuário em desenvolvimento em Presidente Kennedy, no Sul Capixaba, estuda a implantação de um hub de data centers voltado a empresas brasileiras e estrangeiras. A proposta pretende aproveitar a infraestrutura energética e logística planejada para o empreendimento, que possui cerca de 2 mil hectares e desenvolve um polo de geração de energia com capacidade de até 5 gigawatts (GW).
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A iniciativa ainda está em fase de concepção e estruturação. Segundo Fabrício Cardoso Freitas, CEO da Macro Investimentos e membro do Conselho de Administração do Porto Central, o complexo reúne condições consideradas estratégicas para esse tipo de empreendimento, como disponibilidade de energia, água, áreas para instalação dos equipamentos, infraestrutura portuária e possibilidade de conexão ferroviária.
Um dos principais diferenciais apontados no projeto é a disponibilidade energética. O Porto Central informa que já desenvolveu e licenciou capacidade de até 5 GW para geração de energia no complexo. A estrutura inclui projetos de usinas termelétricas movidas a gás natural, que podem ser abastecidas pelo terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) previsto para o próprio porto. A localização também permite avaliar a geração de energia eólica onshore e offshore.
A proposta acompanha uma demanda crescente por infraestrutura para armazenamento, processamento e distribuição de dados. No Espírito Santo, o Governo do Estado já informou que mantém tratativas com grupos brasileiros e estrangeiros interessados em possíveis investimentos em data centers. Os estudos estaduais consideram como requisitos essenciais grande disponibilidade de energia, água e conectividade por fibra óptica com redundância.
Cabos submarinos e conexão internacional
Outro componente em avaliação no Porto Central é a instalação de infraestrutura para cabos submarinos de telecomunicações. O complexo já possui autorização para receber um cabo e mantém tratativas para viabilizar a conexão. A estrutura permitiria integrar o empreendimento a redes de transmissão de dados, com possibilidade de atendimento ao mercado brasileiro e de conexão com outros países.
A combinação entre energia, conectividade e infraestrutura portuária é particularmente relevante para data centers de grande escala. Esses empreendimentos dependem de fornecimento elétrico contínuo, disponibilidade hídrica para sistemas de refrigeração e redes de telecomunicações capazes de manter alta capacidade e redundância. No caso do Porto Central, a proposta também considera a disponibilidade de áreas e a possibilidade de integração ferroviária ao complexo.
Projeto ainda não tem investimento definido
Apesar da capacidade energética licenciada e da infraestrutura planejada, ainda não há investimento financeiro oficialmente definido para a implantação dos data centers no Porto Central. A próxima etapa envolve dimensionar a demanda por energia e água, estabelecer o modelo de negócio, detalhar a infraestrutura necessária e prospectar empresas interessadas em utilizar as futuras instalações.
O projeto surge em um momento de expansão do mercado brasileiro de centros de processamento de dados. Em setembro de 2026, o Governo Federal sancionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), criado para estimular investimentos no setor e ampliar a infraestrutura tecnológica brasileira. O programa prevê incentivos tributários vinculados a contrapartidas em pesquisa e desenvolvimento, sustentabilidade e adensamento da cadeia tecnológica nacional.
O Porto Central é concebido como um complexo portuário multipropósito de águas profundas no Sul do Espírito Santo. Além da atividade portuária, o empreendimento reúne projetos relacionados a energia, gás natural e outros negócios industriais. A área aproximada de 2 mil hectares e a localização no litoral capixaba são apresentadas pelo próprio complexo como elementos para sua integração a cadeias logísticas nacionais e internacionais.

