A novela “A Nobreza do Amor”, exibida pela TV Globo no horário das 18h, incorpora referências históricas brasileiras para dar profundidade à narrativa. Entre os destaques está o campista Nilo Peçanha, retratado como símbolo de poder político e influência no início do século XX, com papel relevante no desenrolar da trama.
Clique aqui para seguir o canal do NF10 no Telegram
Interpretado por Deo Garcez, o ex-presidente, que governou o país entre 1909 e 1910, por curto período de 1 ano e 5 meses, aparece como uma figura estratégica na história fictícia. Depois de uma semana planejando o encontro com ex-presidente, no capítulo desta segunda, dia 27, os personagens se encontraram. Ele atua como aliado da protagonista Alika/Lúcia, vivida por Duda Santos, na disputa contra o antagonista Jendal, interpretado por Lázaro Ramos.
Ambientada na década de 1920, a narrativa da novela acompanha a decisão da mocinha de viajar ao Rio de Janeiro em busca de apoio político para denunciar um golpe de Estado em seu país de origem. Nesse contexto, ela recorre a Nilo Peçanha, já fora da Presidência, acamado em um hospital no Rio de Janeiro, mas ainda influente, capaz de mobilizar lideranças e dar visibilidade internacional à causa.

Primeiro Presidente Negro
A escolha do personagem tem base histórica. Nascido em 1867, em Campos dos Goytacazes, Nilo Peçanha teve origem humilde e construiu trajetória ascendente por meio da educação e da vida pública. Foi deputado, senador, presidente do estado do Rio de Janeiro, Ministro de Relações Exteriores e vice-presidente da República, até assumir a Presidência do Brasil em 1909, após a morte de Afonso Pena.
Nilo Peçanha é frequentemente citado como o primeiro e único presidente negro do Brasil. Na época, suas fotos eram muitas vezes retocadas para “clarear” sua pele, escondendo sua ascendência negra para que ele fosse melhor aceito pela elite. Durante a campanha eleitoral, adversários políticos usavam termos pejorativos e faziam caricaturas racistas para atacá-lo, referindo-se a ele como “o Mulato de Campos” e também “o Mestiço de Morro do Coco”.
Durante seu governo, adotou medidas relevantes para a modernização do país. Entre elas, a criação do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio e do Serviço de Proteção aos Índios, consolidando avanços institucionais. Sua gestão também ficou marcada por iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico e à ampliação de políticas públicas.
Reconhecido como um dos principais incentivadores do ensino técnico no Brasil, Nilo Peçanha foi responsável pela criação das Escolas de Aprendizes Artífices de Campos, em sua cidade natal. Um marco na formação profissional do Brasil, inaugurada em 1910 com base no Decreto nº 7.566 de 1909, teve papel fundamental na qualificação de jovens de baixa renda. Ao longo dos anos, a instituição evoluiu, transformou-se no Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) em 1999 e, posteriormente, no Instituto Federal Fluminense (IFF) em 2008, consolidando a origem da atual rede federal de educação tecnológica, hoje presente com unidades em diversas cidades do interior do estado do Rio de Janeiro.
Faleceu em 1924 no Rio de Janeiro. Sua ascensão ao poder teve forte impacto simbólico e permanece como referência nos debates sobre representatividade e participação política no país.


