
Os petroleiros do Norte Fluminense decidiram manter a greve que já dura 13 dias, após rejeitarem a mais recente contraproposta apresentada pela Petrobras (PETR4). A decisão foi tomada em assembleia realizada na sexta-feira (26) no Sindicato dos Bancários de Campos e Região, com ampla participação da base local.
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Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), embora a estatal houvesse feito ajustes na proposta — incluindo avanços relacionados aos descontos de dias parados, incorporação de trabalhadores da Transpetro à base de Cabiúnas e adicional de dutos —, os petroleiros entenderam que os pontos centrais das reivindicações ainda não foram atendidos.
Enquanto a Petrobras não apresentar uma proposta que contemple os principais eixos das nossas bandeiras de luta, os petroleiros do Norte Fluminense vão continuar em greve, afirmou o coordenador-geral do sindicato, Sérgio Borges.
Na assembleia, a categoria também considerou o cenário nacional do movimento, com outras bases sindicais filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) tendo aprovado a proposta da Petrobras e encerrado a paralisação nas suas unidades — como nos estados do Espírito Santo, Caxias, Minas Gerais e Ceará/Piauí. Apesar disso, a greve permanece firme no Norte Fluminense, principal polo da produção de petróleo no país.
Motivos da continuidade da greve
Os petroleiros apontam que a contraproposta da Petrobras não respondeu satisfatoriamente às demandas por melhores condições de trabalho, garantia de direitos e solução para questões previdenciárias associadas ao acordo coletivo. A mobilização, que começou em 15 de dezembro, conta com adesão expressiva em plataformas e bases da região, incluindo áreas operacionais e administrativas.
A greve também ocorre em meio a um impasse jurídico, com a ameaça de a empresa levar a disputa ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) se não houver evolução nas negociações — medida vista com cautela pelos representantes dos trabalhadores.
Resposta da Petrobras e impacto da paralisação
Apesar da manutenção da greve em algumas bases, a Petrobras afirmou em comunicado que, até o momento, a produção não foi afetada significativamente, graças à atuação de equipes de contingência que mantêm as operações essenciais em funcionamento. A estatal tem reiterado que mantém o diálogo com as representações sindicais e que permanece aberta à negociação.
Especialistas e fontes do setor indicam que movimentos prolongados podem gerar impactos econômicos relevantes, sobretudo na Bacia de Campos, polo que responde por grande parte da produção nacional — embora ainda não haja estimativas oficiais de prejuízos.