Três policiais militares foram presos acusados de roubar celulares de comerciantes que viajavam em um ônibus com destino a Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. A prisão ocorreu após denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que aponta que os agentes cometeram o crime durante uma abordagem na Rodovia Raphael de Almeida Magalhães, no Arco Metropolitano, na altura de Duque de Caxias.
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Segundo as investigações, os policiais estavam fardados e em horário de serviço quando abordaram o ônibus de turismo. Durante a ação, os agentes teriam utilizado a condição de policiais, além de armas e fardamento, para intimidar os passageiros e subtrair 11 aparelhos celulares pertencentes a comerciantes que estavam no veículo.
O caso ocorreu na madrugada de 10 de maio de 2025. De acordo com a denúncia, o ônibus transportava cerca de 30 passageiros e seguia viagem quando foi parado por veículos utilizados na abordagem policial. Os celulares haviam sido comprados no bairro do Brás, em São Paulo, e seriam revendidos em lojas na cidade de Campos.
Uma das vítimas relatou que tentou provar a origem legal dos aparelhos, mas mesmo assim os telefones foram levados pelos policiais. “Quando eles viram os telefones… esquece. Pegou tudo. Todos os telefones. Eu liguei pro dono da mercadoria. Ele falou ‘não, péra aí, eu tenho a nota’. Mas não adiantou nada. Tomaram tudo. Levaram todos os telefones”, comentou uma das vítimas do roubo.
As investigações também apontaram que os policiais não estavam utilizando as câmeras corporais durante a abordagem. No entanto, dados de geolocalização da viatura confirmaram que o veículo policial esteve no local e horário do crime, reforçando os indícios da participação dos agentes na ação.
Denúncia e prisão dos agentes
O Ministério Público denunciou os policiais militares Joás Ramos do Nascimento, Denis Willians Neres Alpoim e Rogério Vieira Guimarães por roubo qualificado. A Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro aceitou a denúncia e determinou a prisão preventiva dos três agentes.
Durante a investigação, dois dos celulares roubados foram localizados com um dos policiais: um estava sendo utilizado pelo próprio agente e outro pela esposa dele. Os demais aparelhos foram identificados e as pessoas que estão com os dispositivos serão notificadas para devolução.
O juiz responsável pelo caso destacou que há relatos de outras abordagens semelhantes na mesma região e com o mesmo método. “A manutenção da liberdade aduz um verdadeiro risco à ordem pública, tendo em vista as diversas denúncias de abordagens a ônibus realizando transporte de mercadorias”, comentou o juiz da Auditoria de Justiça Militar, Thales Nogueira Cavalcanti Venancio Braga.
O que diz a defesa do PM Rogério Vieira Guimarães
A defesa do cabo Rogério Vieira Guimarães se pronunciou sobre o caso com a seguinte nota:
“Os policiais são inocentes e irão provar isso no curso do processo. Infelizmente, no RJ adotou-se a presunção de culpa em desfavor do PMERJ, contrariando as garantias individuais asseguradas na CF. A ironia disso é que o Estado que cobra do PMERJ que respeite os direitos e garantias constitucionais é o mesmo Estado que não respeita as garantias constitucionais do policial.
A acusação é séria, não temos dúvida; porém, refere-se a fatos ocorridos em 2025, sem que qualquer elemento de contemporaneidade justifique a decretação de uma prisão preventiva. Então, podemos dizer que, quando se trata do policial militar, primeiro se prende, se desmoraliza e depois se apura a verdade, quando o estrago à moral e à honra do policial já foi feito.
Vimos isso recentemente quando, após dois anos presos, policiais militares foram absolvidos no caso do menino Thiago Flausino. O crime organizado já descobriu que basta acusar o PMERJ para que o policial seja preso e, com isso, desmotivar os demais integrantes da tropa a continuarem a reprimir o crime.
Não somos contra a punição dos culpados, mas nos preocupamos quando as garantias constitucionais não são respeitadas, pois elas servem para proteger não apenas os policiais, mas todos nós. Infelizmente, no RJ parece que somente traficantes possuem garantias constitucionais.”
O que diz a PM
A PM se pronunciou sobre o caso com a seguinte nota:
“A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que a Corregedoria Interna da Polícia militar cumpriu, nesta quinta-feira (05/03), mandados de busca e apreensão, e prisão contra policiais militares, todos lotados no 15º BPM (Duque de Caxias).
A “Operação Arco” é resultado de investigações conduzidas exclusivamente pela Corregedoria Interna da Corporação, que se iniciaram na 6ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, local de residência das vítimas (Campos dos Goytacazes) e que foram redirecionadas à 8ª DPJM, unidade especializada em investigações complexas.
Os presos respondem por crime de roubo qualificado ocorrido na madrugada de 10 de maio de 2025, após abordarem um ônibus no Arco Metropolitano.
Os mandados, expedidos pela Auditoria de Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro (AJMERJ) foram cumpridos em diferentes endereços da Baixada Fluminense. Três policiais militares foram conduzidos à Unidade Prisional da Polícia Militar”.

