Um estudo científico divulgado por organismos internacionais alerta que cerca de 3,8 bilhões de pessoas poderão ser diretamente impactadas por calor extremo até o ano de 2050, caso o ritmo atual do aquecimento global seja mantido. O número representa quase metade da população mundial e reforça a urgência de ações para mitigação das mudanças climáticas e adaptação das sociedades aos novos cenários ambientais.
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A pesquisa analisou projeções de temperatura média global e a distribuição populacional em diferentes regiões do planeta. Segundo os pesquisadores, áreas que hoje apresentam clima considerado adequado à vida humana tendem a se tornar progressivamente mais quentes, ultrapassando limites térmicos associados à saúde e à segurança alimentar.
O estudo aponta que regiões da África, Oriente Médio, Sul da Ásia e partes da América Latina estão entre as mais vulneráveis, com possibilidade de registrar longos períodos de calor intenso, escassez de água e queda na produtividade agrícola. Grandes centros urbanos também aparecem como pontos críticos, devido ao efeito de ilhas de calor e à concentração populacional.
De acordo com os cientistas, a exposição prolongada a temperaturas extremas aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, problemas respiratórios, desidratação e mortalidade precoce, especialmente entre idosos, crianças e populações em situação de vulnerabilidade social. Além disso, o calor excessivo pode comprometer a capacidade de trabalho ao ar livre e pressionar sistemas de saúde e energia.
Nossas descobertas devem funcionar como um alerta. Ultrapassar o limite de 1,5ºC de aquecimento terá um impacto sem precedentes em tudo, da educação à saúde e da migração à agricultura, alerta Radhika Khosla, um dos líderes da pesquisa da Oxford.
Os autores do levantamento ressaltam que o cenário mais grave poderá ser evitado caso haja redução significativa das emissões de gases de efeito estufa e adoção de políticas globais alinhadas às metas do Acordo de Paris. Medidas como transição energética, planejamento urbano sustentável e investimentos em adaptação climática são citadas como essenciais.
O estudo reforça que, sem mudanças estruturais, bilhões de pessoas poderão passar a viver fora da chamada “zona climática segura”, conceito que define condições ambientais nas quais a humanidade se desenvolveu ao longo de milênios. O alerta coloca o aquecimento global como um dos maiores desafios sociais, econômicos e humanitários das próximas décadas.


