A rede varejista Casa & Video, controlada pela CVLB Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial, na Justiça do Rio de Janeiro, como estratégia para reorganizar suas finanças diante de um passivo estimado em cerca de R$ 1,7 bilhão. A medida ocorre no contexto de dificuldades no setor varejista e busca garantir condições legais para renegociação com credores.
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O pedido foi formalizado após meses de tentativa de reestruturação fora do ambiente judicial. A empresa informou que a decisão substitui um regime cautelar anterior, considerado limitado, por um instrumento mais robusto previsto na legislação brasileira para enfrentar crises financeiras.
A CVLB Brasil, que também controla a rede Le Biscuit, afirma que o processo não representa interrupção das atividades. Segundo a companhia, as operações seguem normalmente em mais de 344 lojas distribuÃdas pelo paÃs, além do comércio eletrônico.
Em comunicado ao mercado, a empresa destacou que a recuperação judicial busca ampliar a capacidade de negociação com credores e dar estabilidade jurÃdica ao processo de reestruturação.
O pedido de Recuperação Judicial não decorre do abandono da via negocial, mas da necessidade de ampliar o alcance e conferir maior estabilidade jurÃdica, informou a companhia.
Pressão econômica e queda de desempenho
A decisão ocorre após um perÃodo de deterioração financeira. Dados recentes indicam queda nas vendas e aumento do prejuÃzo. Nos nove primeiros meses de 2025, o grupo registrou receita de R$ 1,82 bilhão, retração de 6,5% em relação ao mesmo perÃodo anterior, além de prejuÃzo de R$ 246 milhões.
A empresa atribui o cenário a fatores como juros elevados, redução do poder de compra das classes C, D e E e aumento da concorrência no comércio eletrônico. Também aponta mudanças no comportamento do consumidor como elemento que impacta diretamente o faturamento.
Histórico de reestruturações e desafios do setor
Esta não é a primeira vez que a marca enfrenta dificuldades financeiras. A Casa & Video já passou por recuperação judicial em 2009, quando reestruturou suas operações após uma crise que comprometeu sua continuidade.
Especialistas apontam que o novo pedido reflete um movimento mais amplo no varejo brasileiro, pressionado por custos financeiros elevados e mudanças estruturais no consumo. Em 2026, outras empresas do setor também recorreram a mecanismos semelhantes para reorganizar dÃvidas e manter operações.
Com o processo em andamento, a expectativa é que a empresa apresente um plano detalhado de recuperação aos credores, definindo prazos, descontos e condições de pagamento. O desfecho dependerá da aprovação desse plano e da capacidade da companhia de retomar crescimento em um ambiente econômico ainda desafiador.

