O Supremo Tribunal Federal iniciou, nesta quarta-feira, 6 de maio, o julgamento que pode redefinir a distribuição dos royalties do petróleo no paÃs. A análise trata da constitucionalidade da Lei nº 12.734/2012, que altera os critérios de partilha dos recursos entre União, estados e municÃpios, ampliando a fatia destinada a entes não produtores.
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O tema está suspenso desde 2013, quando uma liminar da ministra Cármen Lúcia interrompeu a aplicação das novas regras. Após mais de uma década, o Supremo retoma o julgamento em meio a forte pressão polÃtica e econômica, já que a decisão pode provocar perdas bilionárias para estados produtores como Rio de Janeiro, EspÃrito Santo e São Paulo.
No centro do debate está a redistribuição das receitas geradas pela exploração de petróleo e gás. A lei questionada amplia a divisão desses recursos, reduzindo a concentração histórica nos estados produtores e permitindo maior participação de estados e municÃpios não produtores, que hoje reivindicam uma fatia maior da arrecadação nacional.
A disputa envolve interesses federativos e fiscais. De um lado, estados produtores argumentam que os royalties são compensações pelos impactos da atividade petrolÃfera e alertam para risco de colapso financeiro caso haja redistribuição. De outro, estados não produtores defendem uma divisão mais equilibrada, com base no princÃpio de justiça federativa.
Impacto bilionário e pressão polÃtica
Estimativas apresentadas ao STF indicam que a aplicação integral da nova regra pode gerar perdas superiores a R$ 9 bilhões anuais para o estado do Rio de Janeiro, principal beneficiário atual dos royalties. O impacto também atingiria diretamente municÃpios dependentes dessas receitas, especialmente nas regiões produtoras.
A mobilização polÃtica é intensa. Assembleias legislativas, prefeitos e entidades empresariais têm pressionado a Corte para manter o modelo atual, enquanto governadores e bancadas de estados não produtores atuam pela validação da lei.
Decisão pode redefinir economia regional
O julgamento é considerado um dos mais relevantes da pauta econômica do STF em 2026. A decisão final poderá alterar significativamente o fluxo de recursos públicos no paÃs, com efeitos diretos sobre investimentos, contas estaduais e financiamento de polÃticas públicas.
Caso a lei seja considerada constitucional, haverá redistribuição imediata dos royalties. Se for mantida a liminar, o modelo atual permanece, preservando a maior concentração de recursos nos estados produtores.
A expectativa é que o julgamento se estenda por mais de uma sessão, dada a complexidade do tema e o impacto econômico envolvido.

