A operação do Hotel Mercure Macaé passará por mudanças após decisão da 1ª Vara Cível de Macaé, na Região dos Lagos, determinar o encerramento dos contratos com a Falcon Hotels, empresa responsável pela administração e operação hoteleira do empreendimento localizado no bairro Alto da Glória. A sentença, assinada pelo juiz Leonardo Vastalacio Notini, reconhece o direito do Condomínio do Edifício Golden Macaé de retomar o controle da operação e avançar no processo de transição da unidade.
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Na prática, a decisão abre caminho para que o empreendimento deixe de operar sob a bandeira Mercure, pertencente ao grupo francês Accor, encerrando mais um capítulo da longa sequência de mudanças administrativas vividas pelo hotel nos últimos anos.
Mas, para entender a dimensão da disputa que hoje se desenrola na Justiça, é preciso voltar alguns anos.
O prédio já operou sob diferentes bandeiras hoteleiras. De 2008 até dezembro de 2016, o empreendimento funcionou como Four Points by Sheraton Macaé. Em janeiro de 2017, a operadora Nobile Hotéis assumiu a gestão e promoveu a conversão da unidade para Gran Nobile Macaé. Mais tarde, o hotel passou por uma nova transição até chegar à atual operação sob a marca Mercure, ligada à Accor.

O edifício funciona em um modelo considerado híbrido. Os andares superiores, do 9º ao 20º, integram o chamado “pool hoteleiro”, destinado exclusivamente à exploração do hotel. Já os andares inferiores, do 1º ao 8º, funcionam como condomínio residencial, reunindo proprietários particulares em uma estrutura compartilhada entre moradia e hotelaria.
Dentro desse sistema, a Falcon Hotels foi contratada para atuar como operadora hoteleira, assumindo funções ligadas à gestão administrativa, reservas, operação comercial e interlocução direta com a bandeira Mercure.
O problema começou quando o Condomínio do Edifício Golden Macaé decidiu não renovar os contratos com a administradora, alegando uma série de divergências relacionadas à condução operacional do empreendimento. Já a Falcon sustentava que os contratos possuíam previsão de renovação automática e que sua retirada não poderia ocorrer de forma unilateral.
A disputa acabou migrando para a Justiça e, desde então, o ambiente interno do hotel passou a ser marcado por instabilidade, incertezas e desgaste administrativo.
Funcionários ouvidos pela reportagem, sob condição de anonimato, relataram meses de tensão nos bastidores do empreendimento. Entre os relatos estão insegurança entre equipes, indefinição sobre o futuro da operação, mudanças internas frequentes e dificuldades administrativas durante o período de disputa judicial.
A própria sentença menciona alegações de retenção de acessos administrativos, bloqueios de sistemas operacionais, dificuldades na transição da gestão e episódios de tumulto dentro do empreendimento.
Outro ponto considerado relevante pelo juiz foi a suposta ausência de prestação regular de contas e falhas de transparência administrativa. Segundo a decisão, houve reconhecimento de atrasos e inconsistências envolvendo informações financeiras ligadas à operação do condomínio-hotel.
Na sentença, o magistrado entendeu que a continuidade da Falcon dependia da vontade dos condôminos e validou as assembleias realizadas para deliberar sobre o encerramento da relação contratual, determinando a rescisão dos contratos mantidos com a Falcon Hotels, o afastamento imediato de representantes ligados à empresa, a liberação de acessos administrativos e operacionais, além da adoção de medidas para garantir uma transição segura da bandeira hoteleira.
A Accor, responsável pela marca Mercure, aparece no processo como terceira interessada justamente pelos impactos que a disputa pode causar na continuidade da operação da bandeira em Macaé.
Na própria decisão, o juiz ressalta a necessidade de evitar prejuízos a hóspedes, reservas e ao funcionamento do hotel durante o processo de transição.
A Falcon Hotels poderá recorrer da decisão.


