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Eleições

Assédio eleitoral no trabalho: como identificar, denunciar e evitar

MPT-RJ recebeu 84 denúncias em 2026, contra sete em 2024

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

O número de denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho aumentou no Rio de Janeiro durante o ano eleitoral. Entre janeiro e setembro de 2026, o Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) recebeu 84 denúncias sobre o tema. No mesmo período de 2022 e 2024, foram cinco e sete registros, respectivamente.

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O assédio eleitoral ocorre quando alguém utiliza uma relação de trabalho para coagir, intimidar, ameaçar ou constranger uma pessoa com o objetivo de influenciar seu voto, sua manifestação política ou seu apoio a determinada candidatura. A prática pode ocorrer tanto presencialmente quanto por meios virtuais.

Como o assédio eleitoral acontece

A pressão pode aparecer de diferentes formas no ambiente profissional. Entre os exemplos citados pelo MPT estão a promessa de benefícios ou a ameaça de prejuízos no emprego por causa do resultado das eleições.

Também podem caracterizar a prática situações em que trabalhadores são pressionados a participar de atos eleitorais, usar símbolos de determinada candidatura ou manifestar apoio político.

Comentários depreciativos ou discriminatórios contra pessoas que apoiam outra candidatura também podem configurar assédio. O MPT ainda cita a realização de pesquisas ou enquetes entre trabalhadores e a manipulação de escalas ou locais de trabalho no dia da eleição.

A prática não se limita a empresas privadas. O MPT também atua em casos envolvendo servidores públicos, trabalhadores temporários, terceirizados e outros profissionais vinculados ao ambiente de trabalho.

Por que o número de denúncias aumentou

Os dados divulgados pelo MPT-RJ mostram uma diferença expressiva em relação aos dois últimos ciclos eleitorais. Foram 84 denúncias de janeiro a setembro de 2026, contra cinco no mesmo período de 2022 e sete em 2024. Em todo o país, o MPT já contabiliza mais de 700 registros neste ano.

O aumento dos registros, porém, não significa que todas as denúncias tenham sido confirmadas. O próprio MPT ressalta que uma denúncia, isoladamente, não comprova a existência da irregularidade. Cada caso é analisado individualmente, considerando as informações e as circunstâncias apuradas.

O tema também ganhou atuação conjunta de instituições como MPT, Tribunal Superior Eleitoral, Tribunal Superior do Trabalho e Ministério Público Eleitoral para prevenir práticas que possam interferir na liberdade de escolha dos trabalhadores durante as eleições de 2026.

Como denunciar

Quem sofrer ou presenciar uma situação de possível assédio eleitoral pode fazer uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho. O órgão recebe os relatos, analisa as informações e pode abrir procedimentos para investigar os fatos e adotar medidas quando houver irregularidades.

A denúncia pode ser feita pelo canal oficial do MPT, com possibilidade de preservação da identidade do denunciante.

Importante: uma denúncia não significa, por si só, que o assédio tenha sido comprovado. A apuração é feita individualmente pelo órgão, a partir dos elementos apresentados e das circunstâncias de cada caso.

ATUALIZADO ÀS 18h01  •   Rosana Acruche  [ + ]  —  Editora do NF10. Jornalista.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
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