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Eleições

Eleições 2026: quem são os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro na disputa bilionária

O vencedor será o 64º governador do Estado e assumirá o Palácio Guanabara

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A eleição para o Governo do Estado do Rio de Janeiro entrou oficialmente na fase de campanha neste domingo, 16, após o encerramento do prazo para registro das candidaturas no sábado. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro recebeu nove pedidos para a disputa pelo Palácio Guanabara. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro e, caso nenhum candidato alcance a maioria dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

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O vencedor terá mandato de quatro anos a parti de 1ºde janeiro de 2027. A mudança na data de posse foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111/2021 e passa a valer para os governadores eleitos em 2026. A Constituição determina que o governador e o vice governador sejam escolhidos em chapa e que a eleição ocorra no primeiro domingo de outubro, com eventual segundo turno no último domingo do mês.

O próximo governador do Rio de Janeiro, empossado em 2027, será o 64º ocupante do cargo na linha histórica republicana, considerando os titulares efetivos. A sequência começou com o marechal Francisco Vítor da Fonseca e Silva, que assumiu interinamente o comando do Estado em 15 de novembro de 1889, data da Proclamação da República, permanecendo até 16 de novembro. No dia seguinte, Francisco Portela foi nomeado por Deodoro da Fonseca para governar o estado.

O novo chefe do Executivo será o governador eleito para o mandato de 2027 a 2031 e terá como sede de governo o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul da capital. O prédio histórico, construído no século XIX e atual sede oficial do Governo do Estado, concentra o gabinete do governador e recebe reuniões e atos do Executivo. O novo governador comandará uma máquina pública com orçamento bilionário e responsabilidades diretas em áreas como segurança pública, saúde, educação, transportes, infraestrutura, meio ambiente, sistema penitenciário e administração fiscal.

O tamanho do orçamento estadual
A Lei Orçamentária Anual de 2026 fixou despesas estaduais em R$ 126,57 bilhões. Do total, R$ 108,32 bilhões correspondem ao Executivo. A previsão inclui R$ 19,36 bilhões para Segurança Pública, R$ 13,54 bilhões para Saúde, R$ 10,89 bilhões para Educação, R$ 2,97 bilhões para Transportes e R$ 1,28 bilhão para Assistência Social. A Previdência Social representa R$ 31,14 bilhões em despesas previstas.

O quadro fiscal é um dos principais problemas que chegarão ao próximo governo. A previsão orçamentária para 2026 aponta déficit de R$ 18,93 bilhões, resultado de uma diferença entre receitas líquidas estimadas em R$ 107,64 bilhões e despesas de R$ 126,57 bilhões. O serviço da dívida pública estadual foi projetado em R$ 12,33 bilhões. A dependência das receitas provenientes de petróleo e gás também pesa sobre as contas, porque royalties e participações especiais sofrem variações conforme produção, preços e regras de distribuição.

A situação fiscal não elimina a capacidade de investimento do Estado, mas reduz o espaço para novas despesas permanentes. O próximo governador terá de administrar simultaneamente a dívida com a União, a Previdência dos servidores, os gastos obrigatórios, a arrecadação de ICMS e outras receitas tributárias, além das oscilações dos royalties do petróleo. No primeiro quadrimestre de 2026, a arrecadação líquida estadual ficou acima do previsto na LOA, com destaque para os R$ 22,2 bilhões arrecadados em ICMS no período.

Eleições 2026: quem são os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro na disputa bilhonária
Foto: Reprodução

Quem disputa o Governo do Rio
Nove nomes foram registrados para a disputa, em ordem alfabética, com partidos, números de urna e situação política distintas. O registro eleitoral ainda pode sofrer alterações em razão de impugnações, recursos e decisões judiciais. O prazo para apresentação dos pedidos terminou às 19h de 15 de agosto, conforme as regras do Tribunal Superior Eleitoral.

  • André Marinho, do Novo, número 30
    André Marinho tem 32 anos, é comunicador, empresário, apresentador e comentarista. Filho do empresário Paulo Marinho, disputa pela primeira vez uma eleição para cargo público. Sua chapa tem Erigreyce Monteiro, tenente coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro, como candidata a vice. A declaração patrimonial apresentada à Justiça Eleitoral soma R$ 407.503,55.
  • Coronel Busnello, do Missão, número 14
    João Jacques Soares Busnello tem 56 anos e é coronel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Na carreira policial, foi subcomandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o Bope, e atuou como atirador de precisão. Ele já disputou duas eleições para deputado federal, sem conseguir uma cadeira. Em 2026, declarou R$ 950.000,00. em patrimônio.
  • Cyro Garcia, do PSTU, número 16
    Cyro Garcia tem 71 anos, é historiador, professor e ex bancário. Formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, possui mestrado e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores e da Central Única dos Trabalhadores antes de romper com essas organizações e participar da fundação do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado. Já havia disputado o Governo do Rio em 2022. Foi deputado federal por período de dez meses, como suplente, e atualmente preside o PSTU no Rio. Em 2026, declarou R$ 385.400,00 em bens.
  • Douglas Ruas, do Partido Liberal, número 22
    Douglas Ruas dos Santos tem 37 anos, é bacharel em Direito, pós graduado em Gestão Pública e servidor concursado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, iniciou a trajetória política em cargos da administração municipal, passou pela Superintendência Regional do Instituto Estadual do Ambiente e comandou secretarias municipais. Em 2022, foi eleito deputado estadual, a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Em março, ele foi eleito presidente da Alerj em meio à crise sucessória provocada pela saída de Cláudio Castro e pela cassação de Rodrigo Bacellar. Ruas chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal para assumir interinamente o Governo do Rio, mas os pedidos não foram acolhidos. O canditado eclarou um patrimônio total de R$ 1.467.687,88 à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026.
  • Eduardo Paes, do Partido Social Democrático, número 55
    Eduardo da Costa Paes tem 56 anos, é advogado e iniciou a carreira política na década de 1990 ligado ao grupo de Cesar Maia. Foi subprefeito da Barra e de Jacarepaguá, vereador, deputado federal e prefeito do Rio de Janeiro por quatro mandatos. Governou a capital entre 2009 e 2016 e novamente de 2021 até 2026, quando deixou a prefeitura para disputar o Governo do Estado. Esta é sua terceira tentativa de chegar ao Palácio Guanabara, depois das candidaturas de 2006 e 2018. Paes declarou R$ 189.211 em bens em 2026. A candidatura possui a maior coligação partidária.
  • Anthony Garotinho, do Republicanos, número 10
    Anthony Garotinho tem 66 anos e possui uma das trajetórias políticas mais longas entre os concorrentes. Foi prefeito de Campos dos Goytacazes por dois mandatos, deputado estadual, deputado federal e governador do Rio de Janeiro entre 1999 e 2002. Em 2002, disputou a Presidência da República pelo Partido Socialista Brasileiro. O registro de candidatura apresentado em 2026, contudo, está sob forte questionamento jurídico. Garotinho foi condenado por improbidade administrativa e teve determinada a suspensão dos direitos políticos por oito anos após o trânsito em julgado da ação. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pediu a execução da sentença, e a Justiça determinou o cumprimento das sanções. A situação eleitoral ainda não está definitivamente encerrada. A defesa sustenta que Garotinho permanece no exercício dos direitos políticos até que a Justiça Eleitoral julgue o registro. Em 15 de agosto, a coligação de Eduardo Paes apresentou uma ação de impugnação contra a candidatura no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Assim, Garotinho integra a relação de registros apresentados, mas sua permanência na disputa depende da análise da Justiça Eleitoral. O canditado declarou um patrimônio total de R$ 167.585,05 à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026.
  • Juliete, da Unidade Popular, número 80
    Juliete Pantoja Alves tem 36 anos e é educadora popular e militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas. É presidente estadual da Unidade Popular e já disputou o Governo do Rio em 2022 e a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, sem ser eleita. Ela é a única mulher entre os nove candidatos registrados para o Governo do Rio em 2026. A declaração apresentada neste ano informa patrimônio de R$ 0,00.
  • Luan Monteiro, do Partido da Causa Operária, número 29
    Luan Monteiro Paschoal Pires tem 30 anos, é jornalista e dirigente do Partido da Causa Operária e da Aliança da Juventude Revolucionária. Atua na redação do Diário Causa Operária e já participou de disputas eleitorais para vereador e deputado estadual, sem conquistar mandato. Em 2026, concorre pela primeira vez ao Governo do Rio. O registro apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral informa que ele não possui bens declarados.
  • William Siri, do Partido Socialismo e Liberdade, número 50
    William Carlos Brum Bispo, conhecido como William Siri, tem 34 anos, é economista e vereador do Rio de Janeiro. Foi eleito vereador pela primeira vez em 2020 e reconduzido ao cargo em 2024. Antes disso, concorreu a deputado estadual em 2018 e a deputado federal em 2022, ficando como suplente. Em 2026, declarou R$ 120.000,00 em patrimônio, correspondente a participação societária em uma empresa. O registro de candidatura ainda aguardava julgamento da Justiça Eleitoral na atualização de 15 de agosto.

O que estará nas mãos do vencedor
O governador eleito terá influência direta sobre a maior parte dos serviços públicos estaduais, mas não comandará sozinho todas as áreas da administração. Segurança pública, Polícia Militar, Polícia Civil, sistema penitenciário, educação estadual, hospitais estaduais, estradas, transporte intermunicipal, gestão ambiental e políticas de desenvolvimento econômico estão entre as atribuições do Executivo estadual. A Assembleia Legislativa continuará responsável pela fiscalização do governo e pela aprovação das leis e do orçamento.

A segurança pública aparece entre os maiores desafios porque o Estado administra as duas principais forças policiais ostensiva e investigativa, além do sistema penitenciário. O próximo governo também terá de administrar a expansão da rede de saúde, a educação básica estadual, a conservação das rodovias e a infraestrutura urbana em parceria com municípios. Na área ambiental, entram ainda licenciamento, fiscalização, recursos hídricos e políticas relacionadas à costa, à Mata Atlântica e às atividades industriais e de petróleo.

No campo financeiro, o desafio será administrar um orçamento superior a R$ 126 bilhões sem perder o controle das despesas obrigatórias. Previdência, dívida pública, folha de pagamento e repasses constitucionais consomem parcela significativa dos recursos. A arrecadação de petróleo continuará sendo uma variável importante para o caixa estadual, enquanto o ICMS permanece como uma das principais fontes tributárias.

O tamanho da eleição no Rio
O Rio de Janeiro terá 12.857.000 eleitoras e eleitores aptos a votar em 2026. O Estado representa 8,10% do eleitorado brasileiro e é o terceiro maior colégio eleitoral do país, atrás de São Paulo e Minas Gerais. Do total fluminense, 10.421.768 pessoas, ou 81,06%, possuem biometria cadastrada na Justiça Eleitoral.

No mesmo dia, os eleitores fluminenses escolherão presidente e vice presidente da República, governador e vice governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais. O Rio elegerá dois senadores em 2026 porque neste ciclo eleitoral ocorre a renovação de dois terços do Senado. A Câmara dos Deputados manterá para 2026 a atual distribuição de cadeiras entre os estados, e o Rio continuará com 46 deputados federais.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro terá 70 cadeiras em disputa. O eleitor terá, portanto, cinco escolhas diferentes na urna no primeiro turno: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República. Para governador e presidente, caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, haverá nova votação entre os dois mais votados em 25 de outubro.

A votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em 4 de outubro. O eventual segundo turno será realizado no mesmo horário em 25 de outubro. A campanha eleitoral começou oficialmente em 16 de agosto, enquanto o prazo para registro das candidaturas terminou às 19h do dia anterior.

O próximo governador assumirá terá quatro anos de mandato pela frente. Até lá, a Justiça Eleitoral ainda poderá analisar registros, impugnações e recursos, o que significa que a relação apresentada em 16 de agosto representa o quadro registrado no início da campanha, mas não necessariamente a composição definitiva da urna em outubro.

ATUALIZADO ÀS 11h54  •   Da Redação  [ + ]  —  Produzido pela equipe editorial e direção do portal NF10. Atuamos com apuração rigorosa, checagem de fatos e atualização constante para garantir informação confiável e relevante para todos.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
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