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Campos dos Goytacazes

Escândalo de R$ 5 bi: Fundo de pensão de Campos fez investimentos com Vorcaro

Déficit bilionário ameaça aposentadorias após aplicações arriscadas ligadas a hotéis de luxo, projetos imobiliários e investimentos de alto risco no exterior

  •  Da Redação
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Foto: Vadinho Ferreira
Foto: Vadinho Ferreira

A previdência dos servidores municipais de Campos dos Goytacazes enfrenta um déficit bilionário após uma série de investimentos considerados problemáticos. Reportagem do Estado de São Paulo revelou que cerca de R$ 500 milhões do Instituto de Previdência de Campos (PreviCampos) foram aplicados em fundos com suspeitas de fraude, baixa liquidez ou pendências de auditoria. Mais de uma década depois, o fundo acumula um rombo estimado em R$ 5 bilhões.

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Os investimentos começaram em 2013, durante a gestão da então prefeita Rosinha Garotinho. Segundo a apuração, o dinheiro da previdência municipal foi direcionado para pelo menos 15 fundos considerados de alto risco. Parte desses recursos acabou vinculada a projetos imobiliários e empresas que posteriormente enfrentaram problemas financeiros ou investigações.

Mais de dez anos depois das aplicações, os ativos seguem na carteira do instituto. O relatório atuarial mais recente aponta que o fundo precisaria de cerca de R$ 5 bilhões adicionais para cumprir os pagamentos futuros prometidos aos aposentados e pensionistas. Caso nenhuma medida seja tomada, a previsão é de que os recursos se esgotem por volta de 2029, colocando o sistema previdenciário municipal em risco de colapso.

Atualmente, o patrimônio total do PreviCampos é de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, valor muito inferior às obrigações futuras projetadas. Mesmo assim, uma parcela significativa dos investimentos problemáticos permanece no portfólio do instituto e representa mais de um terço do patrimônio disponível para pagamento de benefícios.

Entre os destinos do dinheiro está um hotel inacabado da rede Golden Tulip, em Belo Horizonte, ligado ao empresário Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O empresário foi investigado por fraudes bilionárias no sistema financeiro e acabou preso em operação da Polícia Federal.

Outro empreendimento que recebeu recursos provenientes dos fundos foi o projeto do Trump Hotel no Rio de Janeiro, anunciado em 2013 e ligado ao empresário e atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Investigações indicaram que parte do capital destinado à construção do empreendimento foi desviada.

A Comissão de Valores Mobiliários aplicou multas superiores a R$ 100 milhões a envolvidos no caso. Entre os citados está o economista Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo. Ele afirmou não ter participado da captação de recursos para o hotel e declarou desconhecer os valores envolvidos.

Ex-prefeita nega

Rosinha Garotinho, prefeita na época em que os investimentos começaram, afirmou que não participou das decisões relacionadas às aplicações do fundo de pensão municipal.

Quem pode lhe informar é o presidente do PreviCampos e o presidente do Conselho (na época). Essa questão de investimento nunca passou por mim. O que sei é isso, comentou a ex-prefeita Rosinha Garotinho.

O atual responsável pela administração do sistema previdenciário é o prefeito Wladimir Garotinho, filho da ex-prefeita. Procurado pela reportagem, ele não respondeu aos questionamentos sobre o caso. Também foram procurados o ex-presidente do PreviCampos e o ex-diretor do conselho do instituto, Nelson Afonso e Jorge William, mas não houve resposta até a publicação da reportagem.

Histórico

O PreviCampos foi criado em 1999 para administrar o regime próprio de previdência dos servidores municipais. A autarquia passou a gerir as contribuições de servidores e da prefeitura, além de ser responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos funcionários públicos do município.

Ao longo dos anos, o sistema passou por mudanças administrativas e estruturais para ampliar o controle previdenciário e modernizar o atendimento aos segurados. O instituto expandiu a base de beneficiários e passou a realizar perícias e atendimentos relacionados à concessão de benefícios. Atualmente, o fundo reúne servidores ativos, aposentados e pensionistas do município e administra um patrimônio destinado a garantir o pagamento futuro das aposentadorias.

Apesar da importância do fundo para a segurança financeira dos servidores, o PreviCampos também enfrentou questionamentos e investigações ao longo de sua história. Auditorias e reportagens apontaram perdas relevantes na carteira de investimentos e aplicações em fundos considerados de alto risco. Parte desses recursos foi direcionada a empreendimentos imobiliários e fundos que posteriormente se tornaram alvo de investigações financeiras, cenário que contribuiu para o crescimento do déficit atuarial do sistema previdenciário municipal e ampliou o debate sobre a sustentabilidade do fundo

ATUALIZADO ÀS 10h40  •  Da Redação — Produzido pela equipe editorial e direção do portal NF10. Atuamos com apuração rigorosa, checagem de fatos e atualização constante para garantir informação precisa, confiável e relevante para todos.  •  Sugira uma correção: Notou algum erro ou deseja reportar uma atualização? Fale com a redação
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