
O resultado da produção industrial em novembro de 2025, que registrou estabilidade em relação a outubro, na série com ajuste sazonal, reforçou o cenário de fragilidade que marcou o desempenho do setor ao longo do ano. A falta de confiança dos empresários industriais, observada durante todo o período, contribuiu para a dificuldade de reação da atividade, que caminhou para encerrar 2025 praticamente estagnada.
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Na análise setorial, o desempenho agregado foi sustentado principalmente pela indústria extrativa, que acumulou crescimento de 4,7% entre janeiro e novembro de 2025, segmento menos impactado pela elevada taxa de juros. Em contrapartida, a indústria de transformação apresentou variação quase nula no mesmo intervalo, com avanço de apenas 0,1%, evidenciando as limitações enfrentadas pelo setor produtivo.
Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o resultado refletiu um ambiente econômico desafiador, agravado por incertezas no cenário internacional, tensões geopolíticas e mudanças no comércio global. Nesse contexto, a entidade avaliou que a abertura de espaço para uma redução sustentável da taxa de juros dependia diretamente da diminuição da percepção de risco do país.
Segundo o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, a rigidez do orçamento público e a dificuldade de geração de superávits primários abalaram a confiança no arcabouço fiscal, tornando urgente o avanço de uma reforma administrativa voltada ao aumento da eficiência do setor público. Ele ressaltou ainda que não havia espaço para ajustes que continuassem penalizando o setor produtivo por meio do aumento de impostos, destacando que um Estado mais eficiente era fundamental para fortalecer a competitividade da indústria nacional e criar bases para um crescimento econômico sustentável.