A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público do Estado e o Ministério da Justiça, deflagrou uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada na fabricação e venda de armamentos produzidos em impressoras 3D. O esquema interestadual, investigado pela 32ª DP (Taquara) e pelo CyberGaeco do MPRJ, revelou que peças e projetos de armas sem rastreabilidade foram comercializados para dezenas de compradores em vários estados do país.
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No estado do Rio de Janeiro, a investigação identificou ao menos dez compradores ligados ao esquema. Entre as cidades citadas estão São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, além de Araruama, São Pedro da Aldeia e Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. Também foram apontados compradores na capital, nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca. Segundo os investigadores, o levantamento buscou rastrear a distribuição das chamadas “armas fantasmas”, equipamentos sem numeração ou controle oficial.
As apurações apontam que o material ilegal negociado pelo grupo incluía principalmente carregadores e componentes produzidos por impressão 3D. O esquema utilizava redes sociais, fóruns na internet e até a dark web para divulgar os projetos e realizar as vendas. A polícia suspeita que parte desse armamento poderia abastecer organizações criminosas, como o tráfico de drogas e milícias que atuam em diferentes regiões do estado.
Ao comentar a operação, o governador do Rio de Janeiro destacou o impacto da retirada de armamentos ilegais das ruas.
Cada arma ilegal apreendida significa menos violência nas ruas e mais proteção para a população, comentou o governador do estado, Claudio Castro.
A investigação também revelou que muitos dos compradores identificados possuem antecedentes criminais, principalmente por tráfico de drogas e outros delitos graves. Em um dos casos analisados pela polícia, um suspeito foi preso após ser flagrado com grande quantidade de armas e munições. O material apreendido passou a integrar o conjunto de provas reunidas no inquérito.
Estrutura do esquema e atuação interestadual
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa era liderada por um engenheiro especializado em controle e automação, responsável por desenvolver projetos de armas semiautomáticas produzidas por impressão 3D. Ele teria elaborado um manual técnico com mais de cem páginas explicando detalhadamente o processo de fabricação e montagem dos equipamentos. O documento permitia que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D conseguissem produzir armamentos utilizando equipamentos relativamente baratos.
A quadrilha atuava com divisão clara de tarefas entre os integrantes, incluindo suporte técnico para compradores, divulgação do material na internet e criação de conteúdo ideológico para incentivar a disseminação das armas. As transações financeiras eram realizadas principalmente com criptomoedas, estratégia usada para dificultar o rastreamento das atividades ilegais.
Operação em vários estados
A ofensiva policial ocorreu simultaneamente em 11 estados brasileiros, com cumprimento de mandados de prisão e dezenas de mandados de busca e apreensão. Até a última atualização das autoridades, quatro suspeitos haviam sido presos, incluindo o apontado como líder do grupo. No total, as investigações identificaram negociações com 79 compradores entre os anos de 2021 e 2022

