
A renúncia de Cláudio Castro ao governo do Rio de Janeiro abriu um novo capítulo na política fluminense e levou o desembargador Ricardo Couto ao comando provisório do estado. A mudança ocorre em meio ao julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode tornar o ex-governador inelegível mesmo após sua saída do cargo.
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O TSE retoma nesta terça-feira, dia 24, a análise do processo que investiga supostas irregularidades na campanha eleitoral de Cláudio Castro em 2022, apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral, pelo deputado federal Marcelo Freixo e pela coligação “A Vida Vai Melhorar”. A ação apura o uso indevido da máquina pública, com a contratação de milhares de funcionários temporários que, segundo denúncias, teriam atuado como cabos eleitorais.
De acordo com o processo analisado pelo TSE, há suspeitas de abuso de poder político e econômico envolvendo a estrutura da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj). Investigadores apontam que recursos públicos teriam sido utilizados em programas e contratações que teriam impacto eleitoral.
Mesmo fora do governo, Castro segue no centro das atenções. Caso seja condenado, ficará impedido de disputar eleições, o que impacta diretamente seu futuro político e altera o cenário de alianças no estado. A renúncia, formalizada às vésperas do julgamento, não interrompe o processo na Justiça Eleitoral. Pelo contrário, mantém a pressão institucional sobre o caso e amplia a expectativa por uma decisão que pode redefinir forças políticas no Rio.
Sem Vice-Governador
A existência da ausência de um vice-governador no Rio de Janeiro é resultado direto de uma decisão política tomada ainda durante o mandato: o então vice, Thiago Pampolha, deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, abrindo mão da linha sucessória sem que houvesse substituição prevista.
Com isso, criou-se um cenário de “dupla vacância” potencial, explorado nos bastidores por aliados do governo, que viam na sequência constitucional a possibilidade de o presidente da Assembleia Legislativa assumir o comando do estado em caso de saída do governador.
No entanto, essa estratégia perdeu viabilidade porque o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, acabou afastado do cargo após ser alvo de investigações, o que o impediu de assumir a função. A combinação desses fatores levou a uma situação inédita, em que o comando do estado acabou transferido ao presidente do Tribunal de Justiça, fora do eixo político tradicional.

Governador Provisório
Com a vacância do cargo e a ausência de vice-governador, Ricardo Couto assumiu interinamente o Executivo estadual. Oriundo do Judiciário, ele chega ao posto com a missão de garantir estabilidade administrativa em um momento de incerteza e transição.
A permanência de Couto no cargo será temporária. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro terá até 30 dias para realizar uma eleição indireta e definir o novo governador que cumprirá o restante do mandato.

Mudanças na Gestão
Nos últimos dias antes da renúncia, Castro acelerou decisões estratégicas dentro do governo. Entre os atos, publicou mudanças administrativas relevantes, sancionou leis e promoveu uma reestruturação que ampliou significativamente o poder da Casa Civil.
A principal medida foi a centralização de decisões na pasta, que passou a controlar nomeações e exonerações em diversos órgãos da administração pública. A exceção ficou restrita aos cargos de primeiro escalão.
Além disso, a Casa Civil ganhou autonomia para reorganizar estruturas internas, alterar funções e remanejar setores sem aumento de despesas, ampliando sua capacidade de influência sobre o funcionamento da máquina pública.
Outro ponto de destaque foi o fortalecimento do controle orçamentário. A secretaria passou a ter poder para abrir créditos suplementares, redistribuir recursos e gerir a liberação de verbas, consolidando-se como núcleo estratégico do governo.
