Uma tartaruga-cabeçuda adulta (Caretta caretta) precisou ser resgatada na manhã desta terça-feira, dia 29, depois de se desorientar ao tentar retornar ao mar após a desova na Praia de Castelhanos, em Anchieta, no Sul Capixaba. O animal seguiu na direção oposta à água, atravessou uma rua e percorreu aproximadamente dois quarteirões antes de ser localizado.
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O chamado foi recebido pelo Instituto de Pesquisa e Conservação Marinha (IPCMar) por volta das 5h. Segundo o instituto, a fêmea havia deixado o mar durante a madrugada para realizar a desova e, depois de concluir o processo, encontrou dificuldades para identificar o caminho de volta ao oceano.
A equipe técnica do IPCMar foi acionada e encontrou a tartaruga já afastada da faixa de areia. Com apoio da Guarda Patrimonial de Castelhanos, os profissionais conduziram o animal cuidadosamente de volta ao mar. A tartaruga foi devolvida ao ambiente natural em segurança.
Iluminação artificial pode desorientar tartarugas
De acordo com o IPCMar, a forte iluminação artificial existente nas proximidades da praia contribuiu para a desorientação da fêmea. O fenômeno é conhecido como fotopoluição e representa uma ameaça para as tartarugas marinhas durante o período reprodutivo.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) explica que a iluminação artificial pode interferir no comportamento das tartarugas adultas durante a saída e o retorno ao mar. O problema também afeta os filhotes, que utilizam referências luminosas naturais para identificar a direção do oceano depois de deixarem os ninhos.
A tartaruga-cabeçuda é uma das espécies de tartarugas marinhas encontradas no litoral brasileiro e é classificada como vulnerável no país. As fêmeas adultas deixam o mar durante a temporada reprodutiva para construir os ninhos na areia e depositar os ovos.
Setembro marca início da temporada reprodutiva
O resgate ocorreu justamente no início do período de reprodução das tartarugas marinhas. Durante essa fase, a presença dos animais nas praias aumenta e também cresce a necessidade de cuidados com iluminação, circulação de pessoas, veículos e outras atividades próximas aos locais de desova.
O ICMBio destaca que a iluminação artificial direcionada para a faixa de areia pode alterar a orientação dos animais. Em áreas de desova, a legislação federal estabelece regras específicas para evitar que fontes luminosas interfiram no ciclo reprodutivo das tartarugas.
A Portaria Ibama nº 11, de 1995, estabelece restrições à iluminação em áreas utilizadas para desova de tartarugas marinhas. A norma determina medidas para impedir que a luz artificial alcance diretamente a faixa de praia e prejudique a orientação dos animais.
O que fazer ao encontrar uma tartaruga
O caso de Castelhanos também reforça a importância de não tentar conduzir ou manipular uma tartaruga marinha por conta própria. O ICMBio orienta que, ao encontrar um animal vivo ou em situação de risco, a população procure instituições de pesquisa e conservação, órgãos ambientais, prefeituras ou equipes dos programas de monitoramento de praias.
A recomendação é especialmente importante durante a temporada de desova. Uma tartaruga adulta pode apresentar comportamento alterado quando está em processo de postura ou retorno ao mar, e uma intervenção inadequada pode aumentar o estresse do animal ou prejudicar o processo reprodutivo.
Em Anchieta, a ocorrência chamou atenção justamente porque a tartaruga conseguiu avançar para dentro da área urbana após perder a orientação. A atuação rápida da equipe do IPCMar e da Guarda Patrimonial de Castelhanos permitiu que a fêmea fosse retirada da região de risco e retornasse ao oceano.
O episódio mostra como a conservação das tartarugas marinhas depende também das condições encontradas nas áreas próximas às praias. Para além do resgate, o controle da iluminação artificial durante a temporada reprodutiva é uma das medidas que podem reduzir a interferência humana no ciclo desses animais.

