A saída de Cláudio Castro (PL) do governo do Estado não encerra a crise política no Rio de Janeiro, ao contrário, abre uma nova lacuna, desta vez na Assembleia Legislativa. Nos bastidores, cresce a avaliação de que a renúncia do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, também seria necessária para garantir segurança jurídica à eleição indireta que deve definir o novo governador até 2026.
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Sem esse movimento simultâneo, o processo pode nascer sob contestação, ampliando o cenário de instabilidade em um momento já marcado por incertezas e disputas políticas.
O timing não é por acaso. A possível saída de Castro acontece às vésperas da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode resultar na cassação do mandato e na inelegibilidade do governador por oito anos. Até o momento, dois ministros já votaram pela cassação, e o caso segue em análise.
Nesse cenário, também são considerados robustos os indícios de que Rodrigo Bacellar avalia deixar o comando da Alerj ainda nesta segunda. A movimentação, no entanto, não ocorre sem cálculo político.
Antes de qualquer decisão, Bacellar articula para manter influência dentro da Casa. O plano passa por emplacar o deputado Chico Machado como sucessor, numa tentativa de preservar espaço no tabuleiro mesmo fora do cargo.
Para isso, organizou um encontro em sua casa de campo, em Teresópolis, reunindo cerca de 40 deputados estaduais. O objetivo é medir apoio e tentar consolidar o nome do aliado.
O ambiente, porém, está longe de ser favorável. Nos corredores da Alerj, a expectativa em torno do encontro é dividida. Há quem ainda demonstre lealdade ao ex-homem forte da Casa, mas cresce o grupo que vê a articulação como tardia e com baixa capacidade de mobilização.

