O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda oficial neste sábado no estado do Rio de Janeiro, participou de evento na Fundação Oswaldo Cruz e elogiou a atuação do governador interino Ricardo Couto. Durante o discurso, Lula defendeu o combate às milícias e pediu que o chefe do Executivo estadual trabalhe para prender “ladrões” e integrantes do crime organizado envolvidos na política fluminense.
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Trabalhe para prender quem roubou o Rio de Janeiro. Trabalhe para prender os milicianos que tomaram conta de parte do território do Rio de Janeiro, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante agenda oficial no estado neste sábado.
Ao comentar a situação política do estado, o presidente afirmou que nunca havia encontrado pessoalmente o governador interino, mas declarou que, caso a escolha passasse pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, “viria um miliciano”. A fala ocorreu durante cerimônia na Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, na Zona Norte da capital fluminense, e recebeu aplausos de parte do público presente.
Lula também afirmou que o Rio de Janeiro enfrenta uma grave crise de segurança pública e destacou a necessidade de ações mais rígidas contra organizações criminosas.
Não é possível a gente ouvir nos jornais todo santo dia que o crime organizado tomou conta do território, declarou o presidente durante o evento oficial.
O governador interino Ricardo Couto assumiu o comando do Palácio Guanabara após mudanças políticas e decisões judiciais envolvendo a sucessão estadual no Rio de Janeiro. O atual cenário político fluminense vem sendo acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal e pela Justiça Eleitoral desde o início de 2026.
Eu não conhecia o governador pessoalmente. Mas se dependesse da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, provavelmente viria um miliciano governar esse estado, afirmou Lula durante discurso em evento na Fundação Oswaldo Cruz, na capital fluminense.

Alerj reage às declarações
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro reagiu oficialmente às falas do presidente e divulgou nota cobrando respeito às instituições do estado – leia a íntegra abaixo. O presidente da Casa, deputado estadual Douglas Ruas, classificou como “inaceitável” qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar os parlamentares fluminenses.
Na nota oficial, a Alerj afirmou que o Parlamento estadual é uma instituição democrática e legítima, formada por representantes eleitos pelo voto popular. O texto também destacou que os problemas relacionados à segurança pública no Rio de Janeiro envolvem questões nacionais, incluindo tráfico de armas, atuação de facções criminosas e fragilidade no controle das fronteiras brasileiras.
A repercussão das declarações ampliou a tensão política entre representantes do governo federal e setores do Legislativo fluminense. Parlamentares da oposição criticaram o posicionamento do presidente, enquanto aliados do governo defenderam o discurso de endurecimento contra milícias e organizações criminosas que atuam no estado.
Leia na íntegra a nota da Alerj
“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República.
É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A ALERJ é uma instituição democrática, legítima e merece respeito.
O Rio de Janeiro enfrenta desafios históricos na segurança pública, muitos deles relacionados inclusive à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país.
O momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições.
Seguiremos trabalhando pelo fortalecimento da democracia, da segurança pública e da defesa da população do Estado do Rio de Janeiro.”

