A queda nos preços do café já começa a impulsionar o consumo no Brasil e pode trazer reflexos diretos para o mercado do EspÃrito Santo, um dos principais produtores nacionais da bebida. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram que o consumo nacional cresceu 2,44% no primeiro quadrimestre de 2026 após um perÃodo de forte alta nos preços ao consumidor.
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Segundo a entidade, a desaceleração nos preços começou a ser percebida principalmente a partir de março, quando o consumo registrou crescimento superior a 10% em comparação com o mesmo perÃodo do ano anterior. Em abril, a alta continuou, impulsionada pela maior oferta de café no mercado brasileiro.
O ano de 2025 foi bastante resiliente para a cafeicultura e culminou com queda no consumo. Começamos 2026 ainda sem recuperação total, mas em março já passamos a registrar um crescimento maior, explicou o diretor executivo da Abic, CelÃrio Inácio.
A associação afirma que a expectativa de uma safra recorde em 2026 pode provocar nova redução gradual nos preços nos supermercados nos próximos meses. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam previsão de produção de cerca de 66,7 milhões de sacas neste ano, o maior volume da série histórica caso a estimativa seja confirmada.
EspÃrito Santo é peça-chave no mercado nacional
Maior produtor brasileiro de café conilon, o EspÃrito Santo vive expectativa positiva para a colheita de 2026, impulsionada pelas condições climáticas mais favoráveis e pela recuperação de parte das lavouras após perÃodos de estiagem registrados nos últimos anos. Cooperativas, produtores e o setor cafeeiro capixaba já intensificam a preparação logÃstica para o aumento da movimentação durante a safra.
A expectativa é de crescimento expressivo principalmente na produção de café conilon, variedade em que o estado lidera nacionalmente. MunicÃpios do norte e noroeste capixaba já registram aumento na contratação de trabalhadores temporários, movimentação de armazéns e preparação de estruturas para secagem, transporte e armazenamento da produção.
Cooperativas e entidades ligadas ao agronegócio também apostam em maior circulação econômica nas cidades produtoras, com impacto direto no comércio, transporte e geração de empregos sazonais. O setor avalia que a combinação entre safra elevada e redução gradual dos preços pode ampliar o consumo interno e fortalecer ainda mais a presença do café capixaba no mercado nacional e internacional.
Apesar da perspectiva positiva, produtores seguem atentos às oscilações climáticas e aos preços internacionais da commodity, fatores que continuam influenciando diretamente a rentabilidade da cafeicultura brasileira.

Preços começaram a cair no varejo
Segundo levantamento da Abic, o café tradicional registrou queda superior a 15% nos preços em abril deste ano na comparação com o mesmo perÃodo de 2025. O recuo ocorreu após um ciclo de forte valorização entre o fim de 2024 e o inÃcio de 2025, perÃodo marcado por clima adverso, aumento de custos e pressão internacional sobre os preços da commodity.
A expectativa do setor é que a combinação entre aumento da produção, maior estabilidade climática e redução da volatilidade do mercado permita novos repasses de queda ao consumidor ao longo dos próximos meses.
Sendo regular esse comportamento e reduzindo-se a volatilidade, o entendimento é que a gente terá um comportamento de maior recuperação desse consumo ao longo do ano., disse o presidente da Abic, Pavel Cardoso.

