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ㅤBrasilㅤ

Congresso corta R$ 488 milhões em verbas das universidades federais para 2026

Recursos discricionários das instituições caem, impactando manutenção e assistência estudantil

  ∗  Da Redação
Foto: UnB/Agência Brasil
Foto: UnB/Agência Brasil

O Congresso Nacional aprovou, no final de 2025, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026 que resultou em cortes significativos no orçamento das universidades federais brasileiras. Os recursos discricionários, verbas que as instituições podem usar para despesas como água, energia, manutenção, segurança, limpeza e concessão de bolsas, foram reduzidos em cerca de R$ 488 milhões em relação ao valor originalmente proposto pelo governo federal para o próximo ano.

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Segundo análise da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o orçamento total previsto para as universidades federais no PLOA de 2026 foi ajustado de R$ 6,89 bilhões — valor enviado pelo Executivo ao Congresso — para aproximadamente R$ 6,43 bilhões, o que representa uma redução nominal de quase R$ 400 milhões em comparação com o orçamento executado em 2025. Isso sem considerar os efeitos da inflação ou reajustes obrigatórios de contratos, o que, na prática, pode agravar ainda mais a situação financeira das instituições.

A Andifes destacou, em nota oficial, que o corte no orçamento discricionário pode prejudicar atividades essenciais ao funcionamento das universidades e comprometer a continuidade de programas que não estão vinculados a salários, como custeio, manutenção de espaços físicos, contratação de serviços essenciais e apoio a eventos acadêmicos.

Um dos pontos mais preocupantes, segundo a associação, é o impacto na assistência estudantil, área estratégica para garantir a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Nessa rubrica, o corte chegou a cerca de R$ 100 milhões, redução de aproximadamente 7,3 % em relação ao montante originalmente previsto no PLOA de 2026. A diminuição de recursos para programas que garantem moradia, alimentação, transporte, saúde e apoio pedagógico eleva o risco de evasão escolar e aumenta as barreiras de acesso e permanência no ensino superior público, sobretudo para quem já se encontra em situação de maior fragilidade.

Além disso, a Andifes observou que os cortes foram aplicados de maneira desigual entre as instituições e afetaram diversas ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior. A associação alertou que a manutenção desse cenário sem recomposição dos recursos comprometerá o desenvolvimento pleno das atividades de ensino, pesquisa e extensão, pilares centrais das universidades públicas brasileiras.

O panorama orçamentário mais amplo do setor educacional mostra que, no mesmo processo, houve reajustes e realocações de recursos dentro do Orçamento Geral da União, com parte dos recursos direcionados para emendas parlamentares e outros programas, em detrimento de despesas discricionárias essenciais para a infraestrutura universitária e a continuidade de ações institucionais.

Especialistas em educação superior e dirigentes universitários ressaltam que cortes desse porte podem não apenas afetar a rotina das instituições, mas também dificultar o alcance de metas acadêmicas e sociais que têm sido perseguidas nas últimas décadas, como a expansão do acesso público ao ensino superior e a promoção de pesquisa e inovação em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país.

Em meio a esse cenário, reitores e representantes das universidades federais aguardam a sanção presidencial do Orçamento de 2026, que consolidará os valores aprovados pelo Congresso e definirá o montante efetivo que será repassado para o funcionamento das instituições no próximo ano. A expectativa de universidades e entidades ligadas ao setor é que haja uma discussão contínua sobre mecanismos de recomposição de verbas e medidas que assegurem a sustentabilidade do ensino público superior no Brasil.

Congresso corta R$ 488 milhões em verbas das universidades federais para 2026
O desabamento ocorreu no corredor da entrada, em frente à Coordenação de Extensão – Foto: CONEXAO / UFRJ.BR<br />
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