A Fundação Oswaldo Cruz passará a produzir no Brasil a cladribina oral, medicamento de alto custo utilizado no tratamento da esclerose múltipla e já disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde. A expectativa do Governo Federal e da instituição é reduzir os custos da medicação e ampliar o acesso de pacientes ao tratamento de alta complexidade.
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O medicamento é comercializado com o nome Mavenclad e foi incorporado ao Sistema Único de Saúde em 2023 para pacientes diagnosticados com esclerose múltipla remitente-recorrente altamente ativa, forma da doença marcada por surtos frequentes e progressão rápida mesmo após terapias convencionais.
A produção nacional ocorrerá por meio de parceria entre Farmanguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz, a farmacêutica Merck e a indústria químico-farmacêutica Nortec Química. O acordo prevê transferência de tecnologia para fabricação do medicamento em território brasileiro, reduzindo a dependência de importações.
Segundo dados divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz, o tratamento com cladribina oral pode custar cerca de R$ 140 mil por paciente ao longo de cinco anos. Estimativas apontam que aproximadamente 3,2 mil brasileiros convivem com a forma altamente ativa da esclerose múltipla.
Produção nacional deve fortalecer atendimento pelo SUS
A diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, afirmou que o medicamento será o primeiro produzido pela instituição voltado especificamente ao tratamento da esclerose múltipla. “A parceria reafirma o nosso compromisso com o fortalecimento do SUS e com a promoção do acesso a tratamentos inovadores, produzidos em território nacional”, declarou.
A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica que afeta o cérebro e a medula espinhal, podendo provocar limitações motoras, cognitivas e perda de mobilidade. Estudos recentes apresentados no Congresso Europeu de Esclerose Múltipla indicaram redução de lesões neuronais em pacientes tratados com cladribina oral.
A iniciativa integra estratégias do Complexo Econômico-Industrial da Saúde para ampliar a autonomia produtiva do país em medicamentos de alta complexidade. A expectativa é garantir abastecimento contínuo ao Sistema Único de Saúde e reduzir impactos financeiros causados pela importação do tratamento.

