O endividamento das famÃlias brasileiras atingiu um novo patamar e já envolve 67% da população adulta, segundo pesquisa do Datafolha divulgada neste domingo, dia 19 de abril. O levantamento, realizado nos dias 8 e 9 de abril, revela que dois em cada três brasileiros possuem algum tipo de dÃvida, evidenciando o peso crescente do aperto financeiro no cotidiano do paÃs.
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Além do alto nÃvel de endividamento, os dados mostram que 21% dos entrevistados estão com contas ou parcelas em atraso. O indicador reforça o avanço da inadimplência em diferentes camadas da população, atingindo desde compromissos bancários até despesas essenciais do dia a dia.
Entre os brasileiros que recorreram a empréstimos com amigos ou parentes, 41% afirmaram não conseguir manter os pagamentos em dia. Já entre aqueles que possuem dÃvidas no cartão de crédito, 29% relataram atraso. Nos financiamentos bancários, o Ãndice chega a 26%, enquanto nos carnês de lojas alcança 25%, demonstrando que o problema está distribuÃdo em diversas modalidades de crédito.
O impacto também aparece nas contas básicas. De acordo com a pesquisa, 28% dos brasileiros estão com pagamentos em atraso em serviços como telefone e internet, além de tributos como IPTU e IPVA. O levantamento ainda aponta que 27% da população vive em situação financeira apertada, enquanto 18% enfrentam um quadro considerado severo.
No recorte da inadimplência formal, os números são ainda mais expressivos. Dados da Serasa Experian indicam que o Brasil alcançou, em janeiro de 2026, um total de 81,3 milhões de consumidores negativados, o maior da série histórica. O volume de dÃvidas acumuladas chega a R$ 524,8 bilhões, evidenciando a dimensão do problema no paÃs.
O cenário já vinha em trajetória de alta no fim de 2025, quando o número de inadimplentes havia atingido 81,2 milhões em dezembro. A manutenção do patamar elevado no inÃcio de 2026 indica que o paÃs ainda enfrenta dificuldades para reverter o quadro de desequilÃbrio financeiro das famÃlias.
Pressão no orçamento doméstico
Especialistas apontam que fatores como inflação persistente, custo de vida elevado e acesso facilitado ao crédito contribuem para o aumento do endividamento. A combinação desses elementos reduz o poder de compra e compromete a renda disponÃvel, dificultando a regularização das dÃvidas.
Diante desse cenário, o desafio para consumidores e autoridades passa pela reorganização financeira e pela adoção de polÃticas que ampliem a educação financeira e o acesso a condições mais sustentáveis de crédito, evitando o agravamento da inadimplência nos próximos meses.

